Belo Horizonte - A disputa eleitoral em Minas Gerais fez Itamar Franco, 76, deixar o PMDB pela quarta vez. Anteontem, ele entregou documento de três linhas ao diretório do partido em Juiz de Fora comunicando a desfiliação.
Segundo João César Novais, coordenador do PMDB em Juiz de Fora, o ex-presidente (1992-94) e ex-governador de Minas (1999-2002) não explicou os motivos da saída. Porém, eles são conhecidos.
O PMDB mineiro derrotou Itamar na disputa contra o ex-governador Newton Cardoso pela candidatura ao Senado. Itamar teve 25% dos votos peemedebistas, contra 69% dados a Newton, seu desafeto. Pesquisas indicavam que Itamar era favorito para vencer a disputa e teria ainda o apoio do governador tucano Aécio Neves.
O ex-presidente não se pronunciou. Do grupo de Itamar, o deputado federal Marcelo Siqueira (PMDB) Disse apenas que “o PMDB não quis Itamar pela quarta vez”. A primeira vez que Itamar deixou o PMDB foi em 1986, quando Newton foi candidato ao governo de Minas. Em 1999, deixou o partido por não concordar com o apoio dado pelo PMDB a Fernando Henrique Cardoso.
Em junho de 2002, saiu para apoiar Lula para presidente e Aécio para governador. Havia retornado ao PMDB em setembro de 2003.
Lessa
Passados 40 anos de sua filiação, o economista Carlos Lessa desistiu do PMDB, que, segundo ele, “trocou uma candidatura a presidente da República por três empregos nos Correios”. Na semana que vem, ele irá à zona eleitoral em que é inscrito no Rio para formalizar o afastamento definitivo do partido que ajudou a fundar.
O motivo da desfiliação é a decisão da cúpula partidária de não ter candidato próprio a presidente. Lessa disse à reportagem considerar provável que participe, “com idéias”, da campanha de Heloísa Helena (PSOL). Há dias, Lessa - primeiro presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - recebeu um telefonema de Heloísa Helena.
O vice na chapa da senadora é o cientista político César Benjamim, auxiliar de Lessa na elaboração do programa de governo do PMDB que seria usado por Anthony Garotinho.
“Estou pronto a conversar com todos os que me procurarem. Tenho a impressão de que a senadora é extremamente bem intencionada. O Cesinha é muito próximo a mim. Provavelmente vou trabalhar na campanha da senadora. Ajudá-la a pensar as coisas, é o que sei fazer. Não sei conchavar, só construir idéias”, disse ele.
Fundador
Em 1966, Lessa foi um dos fundadores do MDB, que virou o PMDB com a democratização. Mesmo convidado por outras legendas, permaneceu no partido. "Meu PMDB era o de Ulysses Guimarães (líder do partido, morto em 1992). Não este partido, que troca candidatura a presidente por três vagas nos Correios. Esse não é mais o meu partido. Estou extremamente decepcionado." Lessa afirmou ainda que não se filiará a outra legenda. "Estou muito velho", disse.