09 de julho de 2026
Nacional

Brasil terá a primeira sala de cinema em 3D

Por Silvana Arantes | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O canadense W. Con Steers não se cansa de contar a história de como seu país, um dia, foi parar no Japão. Era 1967, e os canadenses queriam que os japoneses que os receberiam numa feira internacional pudessem ver de perto o Canadá, mas sem sair do lugar. A partir dessa idéia surgiu a rede de cinemas Imax - com formato gigante e exibições em 3D, hoje presente em 36 países -, da qual Steers é o representante no Brasil, onde a primeira sala do gênero será aberta em setembro do ano que vem, em São Paulo.

“Se você tem uma tela tão grande que o público não consegue enxergar seus limites, ele se sente dentro da imagem”, resume Steers. Além das proporções da tela, o formato Imax prevê também maior grau de inclinação da platéia, para que o espectador tenha visão total da tela e sinta-se próximo dela.

As características técnicas do filme, da exibição e do som são desenhadas para alcançar qualidade e nitidez impecáveis. Para as exibições em 3D, o espectador recebe óculos especiais. Ou seja, o formato Imax é um empreendimento caro, com reflexo no preço dos ingressos, acima da média dos demais cinemas.

Depois de sete anos de conversas, Steers convenceu o exibidor Adhemar Oliveira, das redes Espaço Unibanco e Unibanco Arteplex, de que era hora de abrir um Imax no Brasil. A sala, com custo estimado em US$ 1,5 milhão (R$ 3,2 milhões), será construída no futuro Shopping Bourbon Pompéia, onde Oliveira abrirá também outras dez salas comuns, repetindo o perfil dos seus cinemas Arteplex.

O preço dos ingressos que serão cobrados no Imax ainda não está definido. Marca Oliveira busca no mercado parceria com outra que queira se associar ao selo Imax. A futura sala deve se chamar, portanto, “alguma coisa’’ Imax. “Por que não Unibanco Imax?’’, provoca Steers. Oliveira desconversa.

“A proposta está no mercado’’, afirma o exibidor. Outra alternativa para amortecer o peso dos investimentos será o uso de leis de incentivo fiscal para a construção da nova sala e a viabilização da parcela educativa de sua programação. Os cinemas Imax costumam funcionar com um misto de programação de grandes sucessos de Hollywood e títulos educativos, com duração média de 50 minutos.

Steers afirma que a função educativa é a prioridade Imax e conta que muitas das 250 salas existentes no formato estão localizadas em museus na Europa e nos Estados Unidos. A exibição de blockbusters no formato Imax, segundo o representante da marca, ajuda a atrair público e, portanto, equilibrar as contas dos cinemas, além de eliminar os tempos ociosos das sessões noturnas, inviáveis para escolares.

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Público

O exibidor Adhemar Oliveira tornou-se “alvo’’ de W. Con Steers, da Imax, no Brasil por aliar a experiência de exploração comercial de salas com a administração de projetos voltados à formação de platéias de estudantes e professores (Projeto Escola, Clube do Professor). “O Imax não funciona como os demais cinemas, que simplesmente abrem as portas e esperam o público ir até eles. Neste caso, é o cinema que tem de ir atrás de seu público”, afirma Oliveira.

O exibidor animou-se quando viu o ministro da Educação da Argentina, Daniel Filmus, na inauguração do primeiro Imax na América do Sul, em maio passado. No Brasil, Oliveira espera estabelecer laços com a administração pública para levar estudantes ao Imax. Steers, por sua vez, sonha com a produção de títulos brasileiros no formato. “Imagina se as crianças pudessem ver o Pantanal em 3D”, diz.