09 de julho de 2026
Geral

Bauru torna-se referência em reprodução assistida

Da Redação
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Com pelo menos duas clínicas especializadas em reprodução humana, Bauru se consolida como pólo regional de excelência no armazenamento de sêmen e atendimento a casais com dificuldade para ter filhos. Especialistas indicam que o alto custo de implementação e manutenção impedem a expansão dessas clínicas em cidades com pouca demanda para o serviço. A solução para o problema, que atinge dois em cada 10 casais brasileiros, é procurar especialistas nas cidades próximas.

Segundo o médico especialista em urologia e medicina reprodutiva, Aguinaldo Nardi, da clínica bauruense Gestar, a demanda no atendimento a casais que vêm de cidades próximas a Bauru interessados em armazenar sêmen e à procura de soluções para problemas de fertilidade tem aumentado gradativamente. “O número geral de atendimentos se mantém na média, mas cada vez mais recebemos casais provenientes de cidades da região, como Botucatu, Jaú, Lins, Marília e até Oswaldo Cruz”, afirma.

O motivo, segundo Nardi, seria a consolidação do serviço prestado em Bauru, além das barreiras econômicas e técnicas que dificultam a implementação dessas clínicas em cidades com menor demanda de atendimento. “As técnicas de reprodução são complexas, avançadas e caras. O custo para se manter um laboratório é muito grande. Cidades com pouca demanda não conseguem manter suas clínicas. Bauru se torna referência por já ter um serviço consolidado”, explica.

O urologista especialista em reprodução humana Carlos Alberto Monte Gobbo, da clínica Endogin, concorda com as afirmações do colega. “Bauru é referência regional como pólo no atendimento a pacientes com problemas de fertilidade por ter um histórico consolidado de qualidade”, afirma Gobbo. Segundo ele, sua clínica já atendeu pacientes provenientes do Mato Grosso e até do norte do Paraná.

Por não conseguir engravidar, Lucimara Aparecida Ficho Arrabal, moradora de Iacanga, procurou auxílio médico primeiramente em sua cidade. Como não o encontrou em nenhuma clínica especializada, teve que se deslocar até Bauru para conseguir seu intento. Para ela, as constantes viagens não são problema. “Vale a pena fazer essas viagens. Eu e meu marido queremos muito ter um filho, então temos que fazer esse esforço”, revela.

Casada com José Ricardo Arrabal há onze anos, Lucimara e o marido tentam ter um filho há pelo menos oito. Segundo ela, um problema no ovário impede o casal de realizar seu sonho. Seu problema foi diagnosticado no ano 2000, mas o casal iniciou tratamento somente no ano passado. “Venho fazendo tratamento hormonal há um ano. Se não conseguirmos apenas com os hormônios, vamos partir para uma inseminação artificial”, afirma Lucimara.

O urologista Carlos Alberto Monte Gobbo aponta Ribeirão Preto como outro pólo de destaque no Interior paulista no setor. Segundo ele, a área de influência e o volume de atendimentos em Ribeirão são maiores do que em Bauru pelo fato da cidade ser pioneira na área no Interior, mas a qualidade dos serviços dos dois centros está no mesmo nível. “Nós temos metodologia e tecnologia semelhantes às de Ribeirão, o que é uma exigência nacional hoje. Nossos índices de eficácia estão próximos. A diferença é que eles têm mais volume de pacientes por terem uma experiência maior”, explica o médico bauruense.

Custo ainda é entrave

Em outro fator que dificulta a disseminação das clínicas especializadas em reprodução humana é o alto custo do tratamento, que gira em torno de R$ 15 mil. Com pouca demanda, clínicas menores não conseguem número suficiente de clientes para cobrir seus gastos mensais, o que ajuda a formar os chamados pólos regionais.

Segundo o urologista Carlos Alberto Monte Gobbo, um casal gasta entre R$ 12 mil e 15 mil durante o processo de tratamento. O alto valor se deve ao fato dos medicamentos e dos custos laboratoriais serem muito elevados. “Os gastos somente com os medicamentos, na maioria importados, chegam a R$ 7 mil. O custo laboratorial é quase o mesmo porque os aparelhos são muito caros”, explica o especialista.

Lucimara Arrabal confirma as afirmações do médico. Segundo ela, os custos mensais do casal chegam a R$ 800,00, mesmo fazendo apenas tratamento com hormônios. “Os remédios são caros. Gastamos cerca R$ 300,00 só com eles. Daí tem as consultas e exames. No total, devemos gastar uns R$ 800,00 por mês”, explica.

Convênios

Gobbo destaca também que, pelo fato de ser muito caro, os planos de saúde não têm o interesse de cobrir esse tipo de tratamento. Segundo o especialista, a inclusão do tratamento de fertilização no convênio médico tornaria o preço final para o cliente muito alto, o que reduziria o número de venda nos planos. “A solução seria criar planos especiais para clientes entre 20 e 40, já que acima dessa idade a maioria das famílias já estão constituídas”, afirma o urologista.

De acordo com Gobbo, também é difícil encontrar hospitais públicos que fazem tratamento de fertilidade. Mesmo fazendo o tratamento pela rede pública, os pacientes têm que arcar com a despesa dos medicamentos. “Conheço apenas três hospitais públicos que fazem este tipo de tratamento: o Pérola Bighton e os Hospitais das Clínicas de São Paulo e Ribeirão Preto, mas mesmo assim os pacientes têm que comprar os remédios”, explica.

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Infertilidade

A maioria dos casos de infertilidade, segundo os especialistas, acontece devido ao adiamento reprodutivo. “Os casais modernos se preocupam primeiro com a realização profissional e financeira para, depois, pensarem em ter filhos. E, depois dos 30 anos, ocorre uma diminuição acentuada no nível hormonal da mulher”, explica o médico Carlos Alberto Monte Gobbo.

No caso das mulheres, fatores psicológicos também chegam a alterar a produção hormonal. Problemas anatômicos, endometriose e infecções podem causar obstruções das trompas, outro fator corriqueiro.

No caso dos homens a principal causa de infertilidade é genética. Mas também pode ocorrer devido a infecções testiculares, traumas e situações onde ocorra aumento da temperatura testicular (que deve ser sempre menor que a do corpo). A causa mais comum de aumento de temperatura testicular é a varicocele (dilatação anormal das veias testiculares, principalmente após esforço físico).