11 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Americano sente-se em ‘casa’ em Bauru

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 7 min

Imagine aquele estereótipo de norte-americano sério e introvertido. O presidente da Tilibra, Joe Forgiano, não lembra em nada essas características. A simplicidade e a facilidade de fazer amizade o aproxima de qualidades típicas de brasileiros. Um dos principais executivos do setor gráfico do Brasil, Forgiano chegou ao País em outubro de 2004, quando a empresa teve 100% das suas ações vendidas para a norte-americana Mead-Westvaco Corporation, na qual ele era vice-presidente.

Em Bauru, Forgiano está à frente de 1.000 profissionais, responsáveis pela fabricação de agendas, material escolar, para escritório, para papelarias e livrarias. Tudo feito em unidades de produção que totalizam 40 mil metros quadrados e distribuídos a partir de um centro com 11 mil metros quadrados.

Esse desafio, somado ao de morar em outro país, deixando parte da família nos Estados Unidos, foi assumido em conjunto com a esposa, a também norte-americana Martha Forgiano. Para driblar a “saudade” - palavra que aprenderam a pronunciar no Brasil -, o casal divide-se entre os dois países. Viajam freqüentemente para os EUA. Durante as viagens, o empresário aproveita também para praticar um dos seus hobbies: trabalhar. “Gosto do que faço”, argumenta.

Pai de três mulheres, Forgiano alegra-se com a novidade de ser avô. Em maio, a filha primogênita, Kate, teve seu primeiro filho. Encantando com a beleza e o clima brasileiros, ele constatou que as preocupações que tinha antes de morar aqui são menos relevantes do que imaginava. A pobreza e violência ficam em segundo plano. Quando pensa no Brasil, o empresário lembra-se logo das boas amizades, da beleza naturais e da culinária.

Já aclimatados ao Brasil, o casal acompanhou a Copa do Mundo com o coração dividido. Joe e Martha garantem que torceram pelos dois países, mas ficaram desapontados com as derrotas. O jogo do Brasil contra Croácia no dia 14 de junho, por exemplo, foi assistido acompanhados de um grupo de 28 americanos do “Blue River Chorale”, que estava em turnê pelo País e se apresentava no Brasil. Admiradores da música, o casal auxiliou na apresentação do coral Blue River, na cidade, em junho, recebendo e acompanhando os cantores.

Em entrevista do Jornal da Cidade, Forgiano contou um pouco sobre sua vida, o trabalho e a família.

Jornal da Cidade – Há quanto tempo você está no Brasil? A imagem que tinha do País anterior a sua vinda é a mesma de agora?

Joe Forgiano – Antes de mudarmos para o Brasil, em 2004, já achávamos que o País era muito interessante pelo que líamos. Tínhamos bastante curiosidade para morar aqui, mas a grande preocupação era a respeito dos crimes e da violência que ouvíamos falar. As pessoas que conhecíamos nos falavam e isso gerava expectativas.

JC – E quando chegaram? O que viram?

Forgiano - Quanto chegamos no aeroporto internacional, em São Paulo, e descemos do avião, já sentimos o impacto. Vimos no mesmo dia a poluição e pobreza do País nos arredores da Capital do Estado. Mas, depois de morar alguns meses no Brasil, descobrimos que esses problemas existem, mas são menores do que pensávamos.

JC – Você sente saudades dos Estados Unidos ou está totalmente aclimatado ao Brasil?

Forgiano – Estou totalmente aclimatado no Brasil, mas lógico que sinto falta dos parentes nos Estados Unidos. Adoro morar no Brasil porque desde que mudamos para cá nos sentimos à vontade. Sei que o País tem problemas, mas percebemos que não são tão ruins como tínhamos ouvido falar.

JC – Quantas pessoas da família moram em Bauru? Tem filhos e netos?

Forgiano – Moro com minha esposa, Martha (Forgiano), em Bauru. Tenho três filhas, a mais nova chama-se Rebecca e a do meio, Kristin. A minha filha mais velha, Kate, já é casada e recentemente, em maio, teve o meu primeiro neto. Todos moram nos Estados Unidos.

JC – Então, como faz para driblar a saudade?

Forgiano - Como as minhas filhas e o meu neto recém-nascido moram nos Estados Unidos, temos muitas saudades. Para driblá-las, eu e minha esposa sempre vamos visitá-los e eles já vieram para o Brasil também. Somos muito ‘família’. O máximo de tempo que já ficamos no Brasil direto foi dois meses. Estamos sempre nos encontrando e sempre em contato com a família.

JC – O que vocês mais gostam no Brasil?

Forgiano – O que nos encantou no Brasil foram as pessoas. O ambiente é todo acolhedor e podemos sentir o calor humano das pessoas. Desde que chegamos, fomos recebidos muito bem por todos. Isso fez com que tivéssemos uma adaptação mais fácil. Além disso, adoramos a comida brasileira e o clima quente do País. Nos Estados Unidos, temos muita neve e frio durante grande parte do ano. Aqui no Brasil é diferente, o clima é muito bom. O sol é muito forte e bonito. Tudo isso superou as expectativas que tínhamos anteriormente.

JC – Fez amizades facilmente?

Forgiano – Desde que cheguei no Brasil, fiz muitas amizades. Eu e Martha (esposa) não tivemos dificuldade alguma. Fiquei encantado com as pessoas.

JC - O que menos gosta no País?

Forgiano – Desde que vim para cá, continua sendo a violência, a pobreza e a poluição. Mas acho que é menos do que eu tinha ouvido falar antes de vir para o Brasil.

JC – Você trouxe algum hobby da sua terra natal?

Forgiano – Todas as coisas que gostava de fazer nos Estados Unidos consigo realizá-las também em Bauru. Viajar e fazer exercícios são exemplos. Já conheço praticamente o País todo viajando. Também considero o trabalho como um hobby porque gosto do que eu faço.

JC – Você gosta de música? Quais são as suas preferências?

Forgiano – Tenho gosto eclético por música. Gosto de rock, forró, samba, MPB, folk e música clássica. Costumava tocar violão, mas faz tempo que não toco mais.

JC – Sua família nos Estados Unidos é adepta de esportes. Fale um pouco sobre isso.

Forgiano – Todas as minhas três filhas praticaram esportes enquanto estavam no colegial. Uma delas, inclusive, joga futebol na liga universitária, em um dos times mais fortes do estado de Nova York. A tradição do esporte é muito forte em todo os Estados Unidos. Sou uma pessoa que gosta de estar ativo, sempre praticando algum tipo de esporte ou mesmo assistindo a competições. Mas não participo de nenhum time de esporte agora. No passado sim, mas agora não.

JC – E sua esposa?

Forgiano - A Martha é superativa. Ela corre todos os dias e continua participando de competições. Agora em outubro, ela vai participar da maratona de Chicago. Está se preparando para isso. Muitas vezes, ela que me motiva a praticar esportes.

JC – Durante a Copa do Mundo, você torceu pelo Brasil ou Estados Unidos?

Forgiano – Torci pelos dois países. Os dois tiveram resultados similares de desapontamento. Foi desestimulante.

JC - Trabalha muito? Por quanto tempo você pretende continuar em Bauru?

Forgiano – Pretendo continuar por muito tempo, no mesmo ritmo que tenho hoje. Trabalho nos dois locais, no Brasil e nos Estados Unidos. Mesmo quanto viajo, continuo trabalhando. Tenho muitas reuniões no Exterior. Passo um tempo no Brasil e outro período nos Estados Unidos. Isso me agrada.

JC – Sua esposa trabalha com você?

Forgiano – Não teria como ela trabalhar e me acompanhar nas viagens. Ela dedica-se ao esporte e à família. Estamos sempre viajando e nossa agenda precisa estar com horários que possamos cumprir juntos.

JC – Ainda tem dificuldades para falar o português? Como aprendeu o idioma?

Forgiano – Isso me deixa um pouco frustrado porque ainda não consigo falar a língua portuguesa fluentemente. Acredito que o que dificulta um pouco é estarmos sempre viajando entre os Estados Unidos e o Brasil. Mas consigo driblar as situações. Já falamos e entendemos bem a língua, mas ainda estamos aprendendo palavras novas.

JC – Você e sua esposa fizeram curso ou aprenderam na prática?

Forgiano – Quando chegamos no Brasil, fizemos algumas aulas de português. Mas, hoje, estamos aprendendo muito no dia-a-dia, conversando com as pessoas. Ainda sentimos um pouco de dificuldade, mas estamos superando-as aos poucos.

____________________

Perfil

• Nome: Joseph Patrick Forgiano

• Data de Nascimento: 14/12/1949

• Idade:56 anos

• Naturalidade:Mahopac, Nova York (EUA)

• Profissão:Presidente da Tilibra

• Estado civil:Casado

• Hobby:Viajar

• Time :Prefere ficar “neutro”

• Cor preferida:Azul

• Para quem daria nota 10: Para todos os bauruenses que me ajudaram a me adaptar tão bem à cidade, fazendo com que eu me sinta “em casa”

• Para quem daria nota 0: Presidente Bush, por todo o dano que ele tem causado à reputação internacional dos Estados Unidos