08 de julho de 2026
Esportes

Final marca despedida de Zidane

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Berlim - Acaba hoje a carreira de um craque. Que fez jogadas inesquecíveis e muito por seu país. Foi com Zinedine Zidane, 34 anos, que a França acabou com seu “complexo de vira-lata”, a expressão que o dramaturgo Nelson Rodrigues imortalizou para a Seleção Brasileira pelos fracassos nas Copas até Pelé surgir em 1958 e conduzir o Brasil ao primeiro título mundial.

Os orgulhosos franceses não eram quase nada nas Copas antes de Zidane. Nunca tinham chegado numa final. Tinham fama de amarelar nos momentos decisivos, como em 1982 e 1986. Vinham de dois Mundiais em que nem conseguiram passar pelas Eliminatórias européias. O aproveitamento do time na competição não passava de modestos 49%.

Surgiu o meia em 1998. A França enfim foi campeã. Quatro anos depois, ele se machucou e só entrou em campo uma vez na decepcionante campanha na Coréia do Sul e no Japão. Agora, no seu adeus do futebol, atuação brilhante contra o Brasil, jogadas de efeito e novamente o seu país na decisão.

Com Zidane, a França tem aproveitamento de 72% nas Copas. Assim, a diferença de desempenho do time com e sem o camisa 10 no torneio é de 25 pontos percentuais, o que fica acima de outros grandes ídolos de outras seleções.

A Argentina com Maradona é só nove pontos percentuais melhor nas Copas do que sem ele. O Brasil de Pelé é 16 pontos percentuais melhor que sem o camisa 10. Na Alemanha de Beckenbauer, essa diferença é de 19, ainda abaixo do que acontece com a França e Zidane, que dessa vez, caso conquiste o título hoje, ainda terá o gosto de levantar a taça em primeiro lugar como capitão, tarefa que coube a Deschamps há oito anos no Stade de France.

E o camisa 10 realmente incorporou o papel de líder. Zidane já bateu boca com o técnico Raymond Domenech (era um dos que pedia a entrada de mais um atacante – Trezeguet - na equipe titular), criticou apoios de última hora e ficou calado a maior parte do tempo, irritando até os patrocinadores da Federação Francesa de Futebol.

Mas seu nome esteve na boca de toda a Copa, a começar pelos brasileiros, que exaltaram mais uma vez a atuação de seu maior carrasco em Mundiais. “Foi a melhor exibição dele nos últimos oito anos”, disse o técnico Carlos Alberto Parreira depois da derrota nas quartas.

Nos dias que antecederam a final de hoje, tantos franceses quanto italianos colocaram o camisa 10 como o grande protagonista da decisão. “Ele mostrou de novo que é provavelmente o melhor jogador do mundo dos últimos 20 anos. Está em forma e fico feliz, mesmo sabendo que ele poderá impedir nosso quarto título na Copa”, disse Marcello Lippi, o técnico da Itália, país que também já foi vítima de Zidane - a França venceu a final da Eurocopa de 2000 contra os italianos na Holanda e eliminou o time na Copa de 98.

“Nós temos Zidane, e isso pode fazer a diferença”, disse o lateral francês Sagnol ao comentar sobre o favoritismo na decisão do Estádio Olímpico. A Federação Francesa ainda não anunciou como vai homenagear Zidane por sua despedida.