09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sociedade é quem paga o pato


| Tempo de leitura: 2 min

Há anos venho escrevendo cartas para o jornal no intento de fazer meu papel de cidadão e cobrar atitudes de nossas autoridades, principalmente no que tange à geração de empregos, de desenvolvimento, de uma Bauru melhor.

Venho alertando que o quadro atual de nossa cidade é bastante preocupante, a violência aumenta de forma galopante, todos os dias a sociedade bauruense se defronta com roubos e mais roubos, e o vandalismo já se tornou algo corriqueiro.

Nas duas últimas décadas, núcleos e mais núcleos habitacionais foram construídos gerando inúmeras moradias, e inclusive atraindo migrantes de outras cidades e até outros estados do país, no entanto, as autoridades se esqueceram de um detalhe fundamental: criar condições de emprego para essa gente, ao contrário, vimos muitas empresas abandonar o município sem o menor esforço de segura-las por parte de nosso governo.

Reafirmo, como em uma carta anterior, que Bauru não tem condições de gerar os empregos que gerava há dez anos. E ainda temos que lidar com argumentos de pessoas provincianas e egoístas de que a vocação da cidade é o comércio, que as indústrias poluem, enfim um “blá blá blá” inadmissível para a atualidade.

Reportagens demonstram um quadro digno dos países mais subdesenvolvidos dos planeta; 80 mil pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, o que representa mais de 20% de nossa população, sendo que destas 17 mil pessoas vivem se alimentando apenas com arroz e feijão, outra estatística assola todas às classes sociais, mais de 120 mil pessoas possuem seus dados pessoais inclusos em cadastros de restrição de crédito; e ainda existem empregadores que não contratam pessoas “devedoras”.

Está aí o resultado, a escassez de empregos foi o combustível essencial para o aumento da violência, e isso não vai parar, salvo se a situação mudar totalmente, e a cidade se empenhar de vez na busca em prol de prosperidade e desenvolvimento, combatendo concomitantemente as investidas da criminalidade, o que já é executado de forma louvável por nossas polícias, mas é óbvio que estas merecem ter seus efetivos aumentados, melhor aparato, melhores condições.

Caros amigos, lembrem-se de nossa Bauru nos tempos prósperos, não faz muito tempo! Reflitam que a cidade só decaiu nos últimos anos, vejam que a maior parte da sociedade está à mercê de um bando de egoístas, que só pensam nas suas próprias condições e nos enxergam como eleitores nas épocas de eleição, e gado nos demais períodos, vamos cobrar, lutar, exigir. É nosso dever, e nosso direito, antes que a tão querida Bauru se torne algo digno de versos de um grande artista, um “Faroeste Caboclo”

Fernando de Oliveira Leme - acadêmico de Direito – RG 30.888.954-X