09 de julho de 2026
Esportes

Com gol, expulsão e derrota, Zidane se despede como vilão

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Berlim - Zidane terminou sua carreira nos vestiários do estádio Olímpico de Berlim, vendo a decisão nos pênaltis por um monitor de TV. Tudo estava perfeito para para sua consagração total antes da aposentadoria, com direito a gol marcado no início da partida. O meia francês, porém, acabou expulso após cabeçada gratuita em Materazzi na prorrogação.

O mundo lembrou que, além de dribles, gols e passes excepcionais, a carreira desse mito do futebol também foi marcada pela expulsões, incluindo uma na Copa de 1998. De lá, viu a derrota diante da Itália e experimentou o vice-campeonato mundial que aplicou ao Brasil oito anos antes.

O roteiro começou épico: logo aos seis minutos de jogo, ele foi colocado na posição em que está acostumado: a de decidir as partidas. Um pênalti e o italiano Buffon pela frente. Na cobrança, tirou do goleiro, que pulou para esquerda, mas quase tirou do gol também.

A bola bateu no travessão e pingou dentro. Zidane entra no seleto hall de jogadores que marcaram em duas finais de Copa (junto com Vavá, Pelé e Breitner). O gol também o deixa na quarta colocação entre os artilheiros franceses, com 32 gols, ficando atrás apenas de Platini, Henry e Trezeguet. Nesta Copa, marcou gols importantes sobre Espanha (nas oitavas-de-final) e Portugal (na semifinal) -sem esquecer as assistências como a do gol sobre o Brasil (nas quarta-de-final).

O jogo é de despedida, mas Zidane em seus últimos minutos de profissão continua a ser o maestro. Cercado por três, acha Ribery na lateral. Pressiona a saída de bola da Itália. Reúne Vieira e Makelele e passa instruções. Dribla Perrota e Pirlo e recebe falta. O segundo tempo começa empatado, mas Zidane tem mais liberdade para fazer o que sabe: controlar a bola, distribuir os passes.

O jogo ganhou tons dramáticos aos 34 quando ele cai no gramado após encontrão com Cannavaro, zagueiro italiano que já tinha nocauteado Henry no início da partida. Ele senta, aponta o ombro e faz um sinal que parece pedir substituição. A torcida francesa prende a respiração. Os médicos o levam para fora do campo, jogam um pouco de água e logo se vê que era nada grave. Zidane volta ao gramado. Encarna o herói ferido, mas o tempo normal acaba sem desfecho e vem a prorrogação.

No segundo tempo de prorrogação, a cena triste: fora do lance de bola, Zidane bate boca com Materazzi e, de surpresa, dá uma cabeçada no peito do italiano. O auxiliar vê e denuncia ao árbitro. O maestro sai enxotado de campo (o quarto expulso na decisão na história das Copas). Abandona a faixa de capitão (que passa para o goleiro Barthez) e o campo também.

O herói ferido vira o vilão dentro de campo, justo quando a França pressionava uma Itália cansada e acuada. Passa sem olhar a Taça Fifa para fora do palco. Nem voltou a campo para receber a medalha de prata das mãos de Franz Beckenbauer. O que estava escrito para ser épico virou trágico.