09 de julho de 2026
Internacional

Nova técnica pode tratar infertilidade masculina a partir de células-tronco

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - Um grupo de cientistas alemães e britânicos anunciou ontem ter conseguido fertilizar fêmeas de camundongo usando espermatozóides gerados a partir de células-tronco embrionárias. O experimento abre a possibilidade de se desenvolver técnica semelhante para tratar a infertilidade masculina em humanos no futuro.

As células usadas no trabalho foram tiradas de blastocistos (embriões precoces), dentre os quais foram selecionadas aquelas que haviam se desenvolvido até formar espermatogônias, células precursoras dos gametas. Elas foram então induzidas a se transformar em espermatozóides e depois injetadas em óvulos que posteriormente eram implantados em fêmeas.

Os pesquisadores descrevem o experimento na edição de julho do periódico científico “Developmental Cell”. Foram produzidos 400 embriões com a técnica, mas a taxa de sobrevivência foi pequena. Sete camundongos nasceram, sendo que seis cresceram até a idade adulta.

Cientistas já haviam conseguido produzir espermatozóides usando a técnica, mas foi a primeira vez que se produziram gametas viáveis, ainda que poucos. Três dos roedores, porém, tiveram distúrbios de crescimento - ficaram muito grandes ou muito pequenos - e acabaram morrendo antes do esperado.

Os problemas de desenvolvimento e a alta taxa de erro devem ser uma barreira difícil de contornar a curto prazo para que a técnica possa ser usada em humanos. “A pesquisa é particularmente importante para ajudar a entender mais sobre o processo biológico pelo qual o espermatozóide é produzido”, diz Karim Nayernia, professor do Instituto de Genética Humana da Universidade de Göttingen, na Alemanha, que liderou o estudo. “Se descobrirmos mais sobre como as células-tronco espermatogoniais se tornam espermatozóides, esse conhecimento pode ser traduzido em tratamentos para homens com problemas de infertilidade.”

Os pesquisadores afirmam que o trabalho também aprimorou uma técnica que pode ser usada para produzir novos animais transgênicos. Se as dificuldades forem superadas, médicos poderiam no futuro extrair espermatogônias de um paciente com uma biópsia nos testículos e induzi-las, em laboratório, a se transformar em espermatozóides, que seriam então reimplantados. Em tese, a técnica permitiria criar embriões sem a necessidade de esperma de um homem adulto.