08 de julho de 2026
Internacional

Gás vaza e prédio desaba em Nova York

Por Vinícius Queiroz Galvão | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - Foi um susto. Manhattan acordou ontem com a notícia de que um prédio de quatro andares havia desabado em pleno Upper East Side, a uma quadra do Central Park. Podia ter sido terrorismo. Não foi. Uma explosão por vazamento de gás, seguida de incêndio, pôs abaixo o número 34 da rua 62, entre as avenidas Park e Madison. Uma coluna de fumaça se ergueu. Nos escombros, apenas uma vítima, em estado grave: Nicholas Bartha, médico, 66 anos, proprietário e único morador do edifício.

No local funcionavam consultórios; todos vazios às 8h40, horário do primeiro pedido de socorro ao serviço de emergência. Quatro mulheres que passavam pelo local foram internadas, duas atingidas por tijolos, duas em crise nervosa. Todas passam bem. Dez bombeiros tiveram ferimentos leves ou se intoxicaram com a fumaça.

A polícia suspeita de tentativa de suicídio de Bartha, que corre risco de morte. Antes da explosão, o médico havia enviado um e-mail com sugestões suicidas a ex-mulher, identificada apenas como Cordula. “O sistema legal é corrupto, matou meu irmão e agora a mim. Não serei despejado como os comunistas fizeram na Romênia em 1947. Quando você ler esta mensagem, sua vida terá mudado para sempre. Você merece isso. Você passará de cavadora de ouro a cavadora de cinzas e lixo”, diz um trecho do texto de 14 páginas.

Bartha, de origem húngaro-romena, enfrenta processo de divórcio e contesta na Justiça a partilha do prédio, avaliado em US$ 5 milhões (o equivalente a cerca de R$ 11 milhões). Dois funcionários da Con Edison, a companhia de gás e energia de Nova York, atendiam a um chamado por cheiro de gás no prédio vizinho no momento da explosão. Construções ao lado foram chamuscadas e tiveram janelas estilhaçadas. Toda a quadra foi isolada.

Antes mesmo de os bombeiros saberem a causa do desabamento, a Casa Branca interveio: “Não foi atentado”, disse o porta-voz Tony Snow. O incidente reacendeu o terror vivido no 11 de Setembro. Às 9h no Chelsea, bairro que divide Lower Manhattan de Midtown, dezenas de carros de bombeiro e ambulâncias subiam a Oitava Avenida com sirenes ligadas. Meia hora depois, sete helicópteros sobrevoavam as quadras adjacentes à rua 62. A reportagem contou 38 carros de bombeiro no local, interditado para pedestres.

Dezenas de agentes do FBI, que corriam nervosos e gritavam de um lado para o outro em celulares, misturavam-se a outra centena de policiais, também tensos. O incidente havia ocorrido menos de duas horas atrás, ninguém sabia ao certo a causa do desmoronamento.

As lojas da esquina da avenida Madison com a rua 62 dão idéia da vizinhança: Chanel, Givanchy, Fendi, Valentino, Roberto Cavalli, Giorgio Armani e Oscar de la Renta. O apresentador de TV Larry King, hospedado num hotel da vizinhança, disse que sensação foi a de uma bomba ou terremoto. “Nunca ouvi nada como aquilo”, contou King ao vivo à rede CNN.

Construído entre os anos de 1881 e 1882, o edifício de número 34 da rua 62 havia sido tombado pela Prefeitura de Nova York em 1981. Bartha comprara o prédio um ano antes pelo valor de US$ 395 mil.