07 de julho de 2026
Politicando

Corram...


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Quando do golpe militar de 1º de Abril de 1964, Bauru foi uma das primeiras cidades a prender os possíveis opositores ao novo regime. Meu falecido pai desceu da “Coréinha”, trem que fazia a ligação entre a Estação Central e Vila Dutra, tendo sido abordado e preso por uma caravana policial comandada pelo então tenente Ventrice. Perguntou qual o motivo da prisão, ouvindo como resposta que era por determinação do Comando Revolucionário. Explicou ao tenente que era o encarregado do Armazém Regulador de Café da Estrada de Ferro Sorocabana e que precisava avisar seus superiores em São Paulo para que fosse designado um substituto. O tenente concordou e foram para o escritório do armazém, onde o velho Pedroso usou o “seletivo” (é isso mesmo, prof. Isaías?) para passar a seguinte mensagem:

- Senhor Diretor: Por ordem do Comando Revolucionário estou sendo preso pelo sr. tenente Ventrice, da Força Pública de Bauru, tornando-se necessário a indicação de um substituto para a função de encarregado do Armazém de Café. Como a mensagem passada pelo seletivo era ouvida por todos telegrafistas da Sorocabana, em toda a extensão de sua linha serviu como alerta para que muitos sindicalistas conseguissem se safar das mãos da polícia. Em Osasco, o ferroviário e vereador Reginaldo Valadão copiou a mensagem de Bauru e gritou, com seu bom humor tradicional:

- Pessoal... o Pedroso de Bauru acaba de avisar que a cana chegou... quem não gosta de garapa e nem de cadeia... é bom dar no pé. Tô indo...tchau...

Antonio Pedroso Jr.