11 de julho de 2026
Nacional

Assassinos de namorados são condenados

Por Daniela Tófoli | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Eram quase três horas da manhã quando os jurados, comovidos, pediram para abraçar os pais do casal Liana Friedenbach e Felipe Caffé, assassinados em Embu-Guaçu em novembro de 2003. Eles tinham acabado de condenar três dos cinco acusados de seqüestrar e ajudar a matar os estudantes, que na época tinham 16 e 19 anos. Liana também foi violentada diversas vezes.

Antônio Caetano da Silva, que ajudou os outros criminosos nos estupros e nos assassinatos - ele cedeu sua casa como cativeiro, fez a ronda da região e ainda assistiu a pelo menos oito estupros -, foi condenado a 124 anos de reclusão. Mas vai cumprir no máximo 30, como previsto em lei.

Agnaldo Pires foi sentenciado a 47 anos e três meses de reclusão por estupro. Antônio Matias de Barros, a 6 anos por posse de arma, favorecimento pessoal e cárcere privado. Até a tarde, nenhum dos três havia recorrido da sentença, promulgada pela juíza Alena Cotrim Bizzarro, de madrugada, na Câmara Municipal de Embu-Guaçu.

O advogado de Barros, Ricardo Casado, comemorou o resultado. “Fiquei satisfeito com a pena e não vamos recorrer.” Seu cliente é o único que cumprirá a sentença em regime semi-aberto, já que ficou quase três anos preso. Além da pena de seis anos, ele foi condenado a outra, de um ano e nove meses, que, segundo o defensor, será transformada em multa com valor ainda não definido pela Justiça. Já o advogado de Pires, Armando Sampaio Rezende Júnior, aguarda a decisão de seu cliente para saber se entrará com recurso. “Ele tem o direito de recorrer, mas, por enquanto, não se manifestou”, afirmou.

“Como a pena foi muito alta, imagino que vamos recorrer.” Mesmo que sua punição seja mantida, Pires também deve ficar 30 anos na prisão, tempo máximo permitido pela lei. O advogado de Silva, Dorival de Moraes, não retornou às ligações da reportagem. Rigor da lei A condenação dos três réus foi decidida por unanimidade pelo júri, composto por seis homens e uma mulher. Eles votaram em 16 séries de quesitos (havia uma série para cada acusação para cada réu), que somaram mais de 40 itens.

No fim do julgamento, que durou dois dias, eles se solidarizaram à perda das famílias e alguns não contiveram o choro. A assistente de acusação, Carla Domênico, também se emocionou. “Eles foram punidos com o rigor da lei. Que sirvam de exemplo para que barbaridades como esta não se repitam.”

A juíza não falou com a imprensa e manteve todo o caso sob segredo de Justiça. Nem o nome das testemunhas (uma de acusação, quatro das duas partes e duas de defesa) foram divulgados. A promotora Helena Bonilha Toledo Leite disse não saber se os condenados irão recorrer. “Estou satisfeita com a sentença de cada um. Nosso trabalho valeu à pena.”