11 de julho de 2026
Rural

Metro cúbico de árvore nativa da mata atlântica está avaliado em US$ 1,5 mil

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Um pequeno investimento para um retorno milionário. O plantio da guanandi (Calophyllum brasiliense), espécie de árvore nativa da mata atlântica, começará a ser promovido pelo Instituto Ambiental Vidágua em substituição às plantações de pinus e eucaliptos. Segundo o biólogo Ivan Ferrazoli Demarche, hoje o metro cúbico está avaliado em US$ 1,5 mil. “Estamos calculando um investimento de R$ 4 mil a R$ 5 mil para 10 hectares”, aponta o biólogo. O retorno: R$ 600 mil a cada 10 hectares. A desvantagem é que o dinheiro demora para chegar no bolso. A árvore leva 18 anos para chegar na fase de corte.

O Vidágua planeja lançar a campanha para os produtores rurais na próxima semana. Na segunda-feira, os técnicos do instituto vão conhecer uma plantação de guanandi em Garça. Com os dados colhidos na viagem, vão definir a estratégia de divulgação para os agricultores. “O objetivo é mostrar aos proprietários rurais que existe uma forma de gerar renda com venda de madeira nativa”, explica Demarche. O pinus é proveniente da América do Norte e o eucalipto, da Austrália.

A guanandi possui uma madeira nobre, comparada com o mogno, ideal para a indústria de móveis.

Apesar dos pontos positivos, a demora até o retorno financeiro pode ser um entrave. “O ciclo da árvore até o estágio para corte é de 18 anos. Mas até lá, existe algum retorno financeiro durante as manutenções”, observa o biólogo. A primeira manutenção é feita no sexto ano da planta. Os galhos são podados para deixar o tronco mais reto. As sementes colhidas, já podem ser comercializadas.

18 anos

No 12.º ano, os galhos podados já podem ser vendidos. Porém, a madeira só é comercializada depois do 18.º ano da plantação. Atualmente, o metro cúbico da guanandi está cotado a US$ 1,5 mil. Uma árvore adulta possui 1,5 metros cúbicos de madeira. “O pinus pode ser cortado em seis ou oito anos, mas o metro cúbico não chega a R$ 30,00”, calcula Demarche. Atualmente, o pinus e o eucalipto correspondem de 13% a 15% da cobertura do Estado.

A previsão do Vidágua é a aplicação de R$ 4 mil a R$ 5 mil para a aquisição das mudas de guanandi, cercas e irrigação. Por ser uma planta de área brejosa, se o terreno destinado à plantação for seco, será necessária irrigação. “A intenção do Vidágua é distribuir 10 mil mudas”, afirma Demarche.

Os valores estimados para a venda de guanandi foram divulgados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “A vantagem do guanandi é que é uma madeira nativa. Apesar do ciclo longo, pode ser cosorciada com outras plantações, como feijão, café, banana. E é isso que vamos divulgar”, conta o biólogo.