10 de julho de 2026
Internacional

Kofi Annan cobra cessar-fogo na região

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Nova York - Sob críticas em razão do enfraquecimento do poder de pressão das Nações Unidas no Oriente Médio, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu ao Conselho de Segurança um cessar-fogo imediato e propôs o envio de forças internacionais para instituir uma zona tampão do sul do Líbano, fronteira com Israel, região hoje controlada pelo Hizbollah.

Annan condenou tanto o grupo xiita quanto Israel. “Os atos do Hizbollah são lamentáveis, e Israel tem o direito de se defender. Mas o uso excessivo da força deve ser condenado.”

O secretário-geral propõe que, paralelamente ao cessar-fogo, sejam transferidos para o governo do Líbano, sob a escolta da Cruz Vermelha, os dois soldados israelenses seqüestrados pelo Hizbollah.

Sua proposta foi feita durante apresentação do balanço dos trabalhos de uma missão de paz enviada a Beirute, Tel Aviv, Cairo e Gaza. A delegação foi liderada pelo conselheiro político de Annan, Vijay Nambiar. “Serei sincero com o Conselho. A conclusão da missão de mediação é que existem sérios obstáculos para alcançar um cessar-fogo, ou mesmo uma diminuição rápida da violência.” Foi provavelmente uma menção ao bloqueio americano para que o Conselho de Segurança vote o cessar-fogo.

A Casa Branca e o Departamento de Estado reagiram em seguida. O Departamento de Estado confirmou a viagem da secretária Condoleezza Rice ao Oriente Médio no início da próxima semana. O porta-voz da Presidência, Tony Snow, disse que George W. Bush “adoraria um cessar-fogo”, mas que “o Hizbollah tem de ser parte dele”. “A esta altura, não há indicação de que o Hizbollah pretenda depor suas armas.”

Annan e Rice se reuniriam ontem à noite para avaliar a crise no Líbano, em meio ao desacordo entre a ONU e Washington sobre um cessar-fogo.

O embaixador israelense na ONU, Dan Gillerman, disse “rejeitar terminantemente” o fim dos combates e criticou Annan por não mencionar os papéis da Síria e do Irã no conflito. “Não temos prazo”, afirmou.

A chancelaria libanesa vê o discurso do secretário-geral como “a voz da razão no apelo pela suspensão das hostilidades e na urgência da ajuda humanitária para o sofrimento do povo do Líbano”.

Segundo Annan, 2 mil membros da força de paz da ONU estão isolados no sul do país, sem água nem comida. Ele pede a criação de um “corredor humanitário” para assistência às vítimas dos bombardeios.

Em Moscou, o governo russo divulgou nota em que volta a pedir o cessar-fogo e acusa Israel de estar conduzindo uma operação desproporcional. A França apresentou terça-feira um projeto de resolução de cessar-fogo. Mas o embaixador americano, John Bolton, julgou inoportuno votá-la.