09 de julho de 2026
Internacional

Itamaraty tem três vôos previstos para resgate

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Beirute - O governo brasileiro já tem programados três vôos saindo de Adana, na Turquia, para resgatar brasileiros que estão no Líbano - um no domingo, um na segunda e outro na terça-feira. É possível que na quarta-feira seja feito um intervalo para a manutenção da aeronave e se retomem os vôos na quinta ou sexta-feira.

O transporte de brasileiros de Adana para o Brasil será feito com dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), um com capacidade para 150 passageiros e o outro com limite de 80. Só deverão embarcar nos aviões da FAB os brasileiros que não têm passagens adquiridas nas companhias comerciais.

Cerca de 800 brasileiros deixarão hoje o Líbano em 16 ônibus fretados pelo consulado em Beirute, de onde partirá somente um deles. Os demais sairão da cidade de Majdel Anjar, no vale do Bekaa, a 4 quilômetros da fronteira com a Síria.

Será a segunda operação de retirada de brasileiros do país em menos de uma semana, depois da realizada na última segunda-feira. Além do ponto de partida e do trajeto, outra diferença entre as duas viagens será o perfil dos passageiros.

De Beirute partirão basicamente turistas, a maioria descendente de libaneses em férias no país. Em Majdel Anjar embarcarão cidadãos brasileiros com dupla nacionalidade, muitos dos quais sofreram de perto os efeitos dos bombardeios israelenses por morarem no sul do país ou estarem em visita à região. “São pessoas carentes, muitos ficaram desabrigados por terem sido forçados a deixar a região em que moravam, que estava sob bombardeio”, explicou o cônsul-geral do Brasil em Beirute, Michael Gepp, cuja mulher estará no ônibus que sairá hoje de Beirute.

Ontem, ao lamentar as baixas civis, o brigadeiro-general israelense Shuki Shachar citou com pesar os brasileiros mortos. “Só posso lamentar a morte de civis, principalmente de brasileiros, de quem tanto gostamos aqui em Israel”, disse o militar. “Fazemos de tudo para evitar a morte de civis, mas em 1.000 ataques aéreos e 3 mil tiros de artilharia acontecem erros.”

Shachar repetiu a acusação de que o Hizbollah “faz uso cínico da população, escondendo homens e munição em instituições públicas e mesquitas”.

As críticas de alguns brasileiros à lentidão com que o Brasil vem organizando a retirada de seus cidadãos foram consideradas injustas pelo cônsul-geral Michael Gepp. “Não se pode comparar os nossos recursos com os dos EUA, por exemplo. Apesar disso, estamos trabalhando para ajudar aos que querem sair, que não são todos”, disse.

A embaixada tem encontrado dificuldades para calcular com precisão o número de cidadãos brasileiros no país. Segundo Gepp, em uma pesquisa feita com agências de viagens, chegou-se a uma estimativa que varia entre 400 e 500 turistas brasileiros em Beirute. No total, entre turistas e residentes, Gepp disse que o número deve estar em torno de 70 mil, bem menos que os 200 mil já citados em alguns cálculos. Mas Gepp faz uma ressalva: “É difícil saber com precisão quantos portadores de passaporte brasileiro há no Líbano, porque muitos não estão registrados na embaixada. Além disso, há também casos de passaportes falsificados”, explica o diplomata, ao relatar que tornou-se comum nos últimos dias pessoas que se declaram brasileiras ligarem para o Consulado em busca de informações sobre a retirada sem falar uma só palavra de português.

A Embaixada da Venezuela em Damasco, na Síria, acolheu hoje uma família brasileira que tentava deixar o Líbano “apavorada” com os conflitos no país. Wasa Yunes e os dois filhos, de 8 e 6 anos, estavam havia seis meses no país e conseguiram um lugar em um vôo com destino a Caracas graças ao cunhado dela, o médico brasileiro Hussein Omairi, 42 anos.