08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Champinha foi educado?


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“No dia 2, Champinha teve a idéia de matar Felipe, o que só aconteceu no dia seguinte, em meio a um matagal. (...) No mesmo dia, ‘Pernambuco’ foi para São Paulo e Liana ficou com Champinha na casa. Conforme a polícia, ela foi violentada pela segunda vez. (...) Na madrugado do dia 5, Champinha levou a estudante até o matagal, onde tentou degolá-la. De acordo com a polícia, usou de uma peixeira para golpear várias vezes a cabeça de Liana. Champinha ainda deu várias facadas nas costas e no tórax de Liana antes de deixar o local do crime.”

Para os que não se recordam, Champinha foi o adolescente de 16 anos, mentor de um crime bárbaro em 2003 contra o jovem casal Felipe (18) e Liana (16), tal como narrado durante o julgamento iniciado em 18/7/06, no texto acima. Champinha sairá da Febem em novembro deste ano, onde cumpre a ineficaz pena “sócio-educativa” de três anos apenas, mas Felipe e Liana não saem mais do túmulo onde estão.

Champinha, tal como incontáveis “menores”, ri dos pais e filhos de suas vítimas com o indefectível argumento “sou di menor (sic)”, com sua vida criminosa retornando ao normal, ainda que a vida daquelas famílias nunca mais seja a mesma.

Aos olhos da Lei brasileira - e infelizmente a um enorme efetivo de “educadores” entusiastas - Champinha, o bárbaro, o cruel, o frio, é carecedor de educação, e não de punição. Aos olhos dos estercorários parlamentares de Brasília, que deveriam modificar a legislação penal, Champinha é personagem de ficção. Mas, aos olhos de nós, simples mortais, Champinha é só mais um risco do cotidiano. Que venha a próxima vítima em novembro.

Ivan Garcia Goffi - OAB-SP 165.173