A auditoria da Fundunesp foi contratada pela Emdurb, no início do ano anterior, por licitação, para que o governo municipal levantasse a situação financeira, estrutural e administrativa da Emdurb. Contudo, no capítulo destinado exclusivamente à avaliação do serviço do lixo, conta Luciano Cintrão, não foram expurgadas as dívidas, o que gerou as “gorduras” no cálculo.
No relatório de auditoria a situação que gera a “maquiagem” do valor aparece em indicadores de rateio de despesa que não foram explicitados na época e, sobretudo, no lançamento, também sem explicações, de “custos indiretos de outras despesas”, que contaminou o resultado com o valor da tonelada em R$ 85,57.
Para se ter uma idéia da discrepância entre as despesas consideradas para se chegar ao custo do serviço por tonelada da coleta de lixo domiciliar na Emdurb, a planilha aponta despesa total, em agosto de 2005, de R$ 416 mil, para 4.869 toneladas mensais, na época. Entretanto, R$ 107 mil foram lançados como “custos indiretos”, quase 25% do total.
“Este e outros indicadores consideram o passivo e isso produz resultado que não é custo real. Quando eu menciono que ainda há gordura para queimar é que é preciso verificar que nas despesas dos novos valores ainda podem estar parcelamentos de encargos, que não deveriam incidir na totalidade pelo menos na hora de se pontuar os dados”, adverte Cintrão.
Ou seja, para o consultor, somente agora o custo real da coleta de lixo chega próximo ao seu patamar, incorporando despesas fixas como mão-de-obra, rateio de 13º salário, encargos, manutenção de oficina, reparos com peças, rateio da estrutura administrativa e financeira e insumos, como combustível.
“Se a Emdurb soma seus custos com suas dívidas ela produz resultado completamente fora do mercado, com incidência de juros e custo de capital, entre outros. Veja que o resultado de 2005 ainda contava com horas-extras que na prática não existiam, mas eram pagas por um acordo absurdo firmado pelo governo anterior. A equipe cumpria sua rota e o caminhão ficava parado na oficina por alguma quebra. Para cobrir a necessidade era realizado turno dobrado e tinha hora excedente paga sem ser realizada, o que deve ter sido cortado agora”, menciona o consultor.
Sobre as horas-extras, a presidência da Emdurb conclui levantamento que confirmou irregularidades no pagamento de horas-extras no período anterior. O relatório foi enviado ao Ministério Público (MP) que está apurando os documentos e levantamento as responsabilidades.