Familiares de Emerson Nunes dos Santos, conhecido por Me, morto anteontem à tarde no Parque Vista Alegre durante troca de tiros com a Polícia Militar (PM), querem a apuração das circunstância do fato. Eles negam que o rapaz estivesse armado e envolvido com atentados ocorridos na semana passada em Bauru e tivesse alguma ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Para família, é preciso provar que Santos estava envolvido com o PCC. Um parente, que preferiu não ser identificado temendo represália, explicou que o rapaz passou a ser seguido pela polícia a partir da aquisição do Golf placas BPP 2968. O carro, segundo eles, pertencia a uma outra pessoa presa recentemente.
A família conta que policiais passavam com freqüência na rua da casa onde Santos morava, assim como o helicóptero Águia da PM sobrevoava o local sempre.
Embora estivesse desempregado, a família ressalta que Santos foi sócio de um lavacar. “Ele tinha um Vectra e trocou pelo Golf porque o Vectra consumia muito combustível. O carro ficava na garagem porque ele não tinha dinheiro para abastecê-lo”, conta um parente.
No último dia 10, Santos esteve na delegacia de trânsito e transferiu o carro para seu nome, contam os familiares. “Se ele fosse do PCC, ele iria na delegacia?, questionam. Quanto aos disparos que a PM afirma terem sido feitos por Santos, a família diz. “Ele nunca teve arma e há testemunhas que já disseram em depoimento que ouviram um único tiro”, argumenta.
A família frisa que Santos era uma pessoa de bem. “Eles desceu com a mão na cabeça. No velório dele tinha mais de mil pessoas. Ele era conhecido na cidade toda. Morava na casa da mãe e ia iniciar um curso no Senai nesta semana. Para os familiares, relacionar Santos aos atentados do PCC é um absurdo. “Ele vivia com os pais e freqüentava o bar da esquina. Nós queremos a verdade”, completa.
Apuração
Um inquérito foi instaurado na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) para apurar as circunstâncias em que os fatos ocorreram. O delegado titular da DIG, Silberto Sevilha Martins, garante que o caso será apurado com transparência.
“Vamos ouvir as testemunhas e os envolvidos, mas os laudos periciais é que poderão dar um norte nas investigações. Antes dos resultados não vou me manifestar”, frisa. Um dos laudos vai revelar se havia ou não vestígios de pólvora nas mãos de Santos, indicativo de que ele atirou ou não.
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Inquérito
Paralelamente à investigação da Polícia Civil, a Polícia Militar (PM) instaura um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias da morte de Emerson Gomes, segundo o major Wellington Venezian, coordenador operacional do 4º Batalhão da Polícia Militar.
A apuração, segundo ele, é feita por oficiais de outro batalhão, para total isenção. O policial que fez o disparo, assim como todos aqueles envolvidos em ocorrências de alto risco, foi encaminhado ao psicólogo do batalhão para ser avaliado. “Se for considerado apto, volta ao trabalho. Caso contrário é afastado até ser liberado. Esse cuidado é tomado por causa do abalo emocional”, explica.
O major não quis se manifestar sobre as alegações da família, de que Gomes não estaria armado e não teria ligação com o PCC. De acordo com ele, foram registradas dois casos de mortes em confronto com a PM neste ano em Bauru – Gomes e . E dois em Pederneiras envolvendo policiais de Bauru – na ocorrência registrada no Vale do Igapó.