08 de julho de 2026
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Diálogo de surdos


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Os xiitas são muçulmanos ortodoxos. Isto significa, entre outras coisas, viver dentro dos mesmos parâmetros comportamentais e éticos seguidos por Maomé, no longínquo século VII. Como não há referências escritas, independentes e numerosas, sobre as ações e ditos de Maomé, os xiitas estão sujeitos às interpretações pessoais, articuladas por lideranças religiosas (ou políticas - o que, entre muçulmanos xiitas, significa praticamente a mesma coisa) contemporâneas.

O grupo Hamas venceu as eleições legislativas, na Autoridade Palestina; o grupo Hesbollah tem representação política de média expressão, no Líbano. Estes grupos políticos xiitas possuem representatividade política interna, mas agem de maneira terrorista, nas relações internacionais. Passam por cima dos interesses do Estado Palestino e do Estado Libanês, ao se confrontarem com Israel. Além disso, recusam-se a qualquer negociação diplomática, pois pleiteiam a destruição completa - por via das armas - do Estado de Israel.

É importante lembrar que, tanto o Hamas como o Hesbollah, recebem elevado apoio financeiro dos governos do Irã e da Síria. A Síria não abandonou a idéia de anexar o Líbano e os aiatolás iranianos acreditam que a união dos muçulmanos sob um governo teocrático seria facilitada com a edição de uma cruzada religiosa com o objetivo de destruir Israel. Hamas e Hesbollah ardilosamente utilizam as verbas iranianas e sírias na proporção de cinco dólares em armas para cada dólar utilizado em ações caritativas: assim, o Hamas e o Hesbollah arregimentam, a custo muito baixo, os adolescentes suicidas que se explodem, ou são massacrados pelos bem treinados exércitos de Israel.

De um lado, temos organizações não-estatais terroristas; do outro, está um Estado arrogante e genocida.

Israel surgiu de uma bela e heróica luta pela preservação de uma cultura: fez-se Estado após o holocausto (que custou a vida de um terço de seu povo) e numa guerra contra inimigos muito mais numerosos. O medo de sofrer um outro holocausto impediu que o povo de Israel aprendesse com os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial: o novo Estado não titubeia em promover genocídio contra seus vizinhos, alegando que a violência empregada é uma ação preventiva contra a destruição do Estado Judaico.

Muitos dos soldados que lutaram na guerra para a fundação de Israel tornaram-se generais e, mais tarde, líderes políticos. Alguns chegaram à posição de primeiros-ministros. Criaram o conceito do “Eretz-Israel”: o país deveria ter uma extensão territorial suficientemente grande, para evitar o risco de um ataque surpresa contra suas cidades mais importantes e povoadas. Pensando no “Eretz-Israel”, os israelenses reduzem o espaço dos palestinos e destroem a infra-estrutura da Autoridade Palestina, matando os jovens e reduzindo a população à miséria. Ao atacar o Líbano, Israel mata meia dúzia de militantes do Hesbollah e centenas de civis (inclusive os cristãos-maronitas que, em condições normais, se aliariam a Israel para contrabalançar os interesses sírios ou o apoio dos xiitas iranianos).

Agora, no meio da grande tormenta está o generoso, trabalhador e sofrido povo libanês. E a ONU, para variar, está ausente.

O autor, Ney Vilela, é coordenador regional do Instituto Teotônio Vilela