Trinta e oito anos oferecendo distração aos leitores do Jornal da Cidade. Diariamente ali se encontrava conosco, divulgando conhecimentos em palavras cruzadas para os bauruenses; nunca falhou. Era um guerreiro do idioma. Muitas vezes, no aniversário da cidade, criava uma palavra cruzada gigante, uma página inteira, sempre, naturalmente, enfocando nomes e a história de nossa Bauru. O Jornal da Cidade perde um grande colaborador, e Bauru a cultura de um homem simples, que, na sua modéstia, divulgava os mais variados ensinamentos. É que a palavra cruzada ensina, distrai, oferece uma enciclopédia de assuntos para nos ilustrarmos cada vez mais e mantermos o cérebro em constante atuação. Muitas vezes discordávamos de algum conceito e procurávamos o léxico para tirar a dúvida. Albiero estava com a razão, e sempre foi assim. Pesquisei-o, diariamente, todas as manhãs, nos últimos trinta anos, pelo menos. Nunca me arrependi, aliás, sempre o glorifiquei embora não o conhecesse pessoalmente. Uma das vezes, numa das cruzadas do aniversário da cidade, recebi um prêmio pela rapidez de oferecer a solução (correta, evidentemente) que havia sido ofertado pela antiga Casa Rasi (onde hoje está a Pernambucana), então dirigida pelo saudoso Osvaldo Rasi, uma das antigas culturas de Bauru que sabia, como ninguém, prestigiar todos quantos pudessem engrandecer os conhecimentos humanos. Dificilmente Albiero poderá ser substituído. Bauru deve-lhe uma homenagem póstuma, pelos alunos que deixou, entre os quais me incluo. Talvez denominando uma das salas do Centro Cultural para perpetuar-lhe a memória. Aguardemos para ver Câmara Municipal cuidar do assunto, e esperemos possa o JC encontrar um sucedâneo à altura do falecido. Se houver espaço, estimaria ver publicadas estas confidências de um “cruzadista” inveterado e já saudoso.
Itamir Crivelli