As dificuldades de quem vive em Bauru, mas trabalha ou mantém um filho na Capital paulista têm afetado cada vez mais o orçamento de muitas famílias. O seguro do carro está entre os mais novos vilões do bolso. Dependendo do perfil do condutor e dos índices de violência na região onde o veículo vai circular durante mais de 25% do tempo, fazer o contrato na Capital pode significar pagar até cinco vezes mais caro. Entretanto, manter o veículo com seguro de Bauru circulando em São Paulo pode resultar no não recebimento da apólice em caso de furto ou roubo.
O principal fator que leva aos exagerados valores de seguro de veículos é a alta incidência do índice de furtos e roubos. Algumas seguradoras já nem aceitam fazer contrato para quem circula em regiões muito afetadas pela violência urbana. A alternativa é escolher um carro menos visado pelos ladrões para baixar o custo do seguro, que pesa cada vez mais no orçamento das famílias de classe média.
O valor do contrato depende de vários itens, mas na média, o preço do seguro de um Gol ano 2000 que circula em Bauru gira em torno de R$ 1.807,00. Se o mesmo carro circular em determinadas regiões de São Paulo, pode ter o seguro avaliado em torno de R$ 11.308,00. Com a diferença é possível adquirir um carro usado em bom estado de conservação. As informações são da delegada do Sindicato dos Corretores de Seguro da região de Bauru (Sincor), Leilane Aparecida Figueiredo Strongren.
De cada 100 carros segurados na Capital, seis são levados diariamente pelos ladrões por meio de furtos e roubos. Os veículos mais visados são da linha Volkswagen, caminhonetes a diesel e carros populares, além dos importados.
O destino desses carros são quase certos: desmanches ou as ruas do Paraguai, paraíso das fraudes ocorridas nos grandes centros urbanos, segundo Leilane. Ela explica que muitos carros levados pelos ladrões vão para o Paraguai pelas mãos de “laranjas”.
“Em São Paulo acontece muito do próprio segurado aplicar fraudes. Ele paga um ‘laranja’ para levar o veículo e alega que foi vítima para receber o seguro. As seguradoras estão investigando antes de pagar.”
Os veículos que vão para os desmanches viram peças de reposição que, distribuídas para o País todo, jamais serão encontradas como integrantes de um carro furtado.
Os furtos e roubos são itens que pesam no preço do seguro, ressalta a delegada do Sincor. “O preço total de um seguro engloba custos com colisão parcial, total, incêndio, furtos e roubos. Na Capital, o custo deste item representa 65% do total, enquanto em Bauru, é em torno de 10%”, observa.
Outras regiões do País se igualam a São Paulo no quesito furtos e roubos de veículos, segundo frisa Leilane: “Rio de Janeiro, a região de Campinas e o ABC paulista”.
Os estudos das seguradoras definem inclusive locais críticos para esse tipo de crime em São Paulo, explica a delegada do Sincor. “Tem um cruzamento na Capital que é recordista. É o acesso da Ponte da Casa Verde para a marginal do Tietê, depois das 19h.”
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‘Preço absurdo’
Iraci Martins Lopes tem um neto estudando em Campinas e paga o seguro do carro dele, um Gol modelo básico. Se o carro circulasse somente em Bauru, o preço do seguro seria de R$ 1 mil. Como circula a maior parte do tempo em Campinas, ela teve que desembolsar R$ 1.800,00 para fechar o contrato.
Ela considera o preço absurdo, porém, não abre mão de renovar o seguro do carro. “No ano passado os ladrões levaram o carro dele, que foi encontrado posteriormente pela polícia. Mas se não encontrassem, ele poderia receber o valor para comprar outro.”