08 de julho de 2026
Bairros

História do núcleo é polêmica

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Com seus dez anos de existência marcados por oscilações que vão do inferno ao paraíso, o Núcleo Fortunato Rocha Lima tem uma história polêmica. O bairro é fruto de uma projeto de desfavelamento realizado na gestão do ex-prefeito Antonio Tidei de Lima, em meados da década de 1990.

O projeto reuniu moradores de 15 favelas de Bauru, que estavam localizadas em áreas de risco, na construção de um núcleo habitacional pelo sistema de mutirão. A idéia original visava a construção de 1.070 residências, mas, no final, apenas 562 foram entregues.

A prefeitura fez a aquisição dos terrenos e realizou as obras de infra-estrutura. Já a Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) financiou o material usado na construção dos imóveis.

O projeto de desvafelamento também contou com amplo apoio de diversos setores da sociedade bauruense, em especial das igrejas, que eram responsáveis por fornecer a alimentação aos trabalhadores que participavam do mutirão.

Os problemas envolvendo o núcleo são posteriores à entrega das casas, em 1996. Os primeiros a receber os imóveis foram os participantes que apresentavam uma maior freqüência ao mutirão.

Temerosos de não serem contemplados com a moradia (já que o período era de final de mandato prefeito), várias pessoas que trabalharam no projeto resolveram invadir as casas que ainda estavam inacabadas.

Tidei de Lima contesta a versão. “Na verdade, foram meus adversários políticos que incentivaram a ocupação, numa tentativa de prejudicar o projeto”, afirma. Depois da invasão, o bairro passou a freqüentar as páginas policiais dos jornais e, atualmente, é visto como um dos mais violentos de Bauru.

Para o ex-prefeito, o avanço da criminalidade e da miséria no núcleo é fruto do descaso das gestões que o sucederam. “Nunca imaginei que pudessem sabotar um projeto de tamanha dimensão social”, lamenta.

Tidei não considera que os problemas atuais sejam capazes de ofuscar as qualidades do projeto. “O Fortunato é um projeto de sucesso. Antes aquelas pessoas eram obrigadas a conviver com a enchente, hoje têm acesso a uma infra-estrutura mínima que lhes permite ser chamadas de cidadãos”, ressalta.