09 de julho de 2026
Nacional

Disco reúne inéditas da Mangueira

Folhapress
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O fato de só estar conseguindo lançar seu primeiro disco a um mês de completar 60 anos explica por que pouca gente sabe que Devani Ferreira, o Tantinho, é um dos maiores cantores da história da Mangueira. Mais: também é uma das grandes memórias do morro e da escola de samba cariocas. A voz grave e as lembranças fartas são os ingredientes que fazem de “Tantinho - Memória em Verde e Rosa” um projeto fundamental.

O cantor reuniu em um CD duplo 32 sambas que ouviu ao longo de décadas nas quadras e vielas de Mangueira, mas que o público desconhece - a maior parte do repertório é inédito.O 33.º, que fecha a caixa, é o samba-enredo “Gonçalves Dias” (Cícero/Pelado), de 1952, primeiro ano em que Tantinho desfilou na escola.

No repertório, compositores que Tantinho ouvia na infância e que o fizeram aprender as manhas da improvisação, marca dos craques do partido-alto. Padeirinho é lembrado com a crônica sincopada “Fofoca no Morro” e com o animado “Recordar é Viver”. Jorge Zagaia aparece com “Eu Vivo em Paz”. Pelado está em dois grandes momentos: no partido “Sofrer Como Eu Já Sofri” e “Decaída”. Dos nomes conhecidos, há Geraldo Pereira, Nelson Sargento, Xangô, uma parceria Gradim/Noel Rosa/Ismael Silva e, é claro, Cartola.

Despertam mais curiosidade nomes desconhecidos como Fandinho, Brogogério e Manoel Ramos, um vendedor de bebidas que nunca fez carreira, mas genial em “Eu Vou Subir, Tia” e “Faltavam Cinco Horas para as Cinco Horas”. Tantinho também apresenta seu lado compositor, com destaque para “Neuma”, sua homenagem a uma das grandes damas da Mangueira e espécie de sua segunda mãe sua.