10 de julho de 2026
Geral

Gripe ou resfriado? Saiba as diferenças

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

As gripes e resfriados integram o rol das doenças mais populares e, ao mesmo tempo, antigas da história da humanidade. Exemplo disso é que especialistas apontam relatos de epidemias de gripe na Europa desde a Idade Média e indícios de sintomas da moléstia por volta do ano 2.500 a.C., no Egito. Mas, mesmo tendo enorme capacidade de disseminação e afetar há séculos a vida de milhões de pessoas, desde recém-nascidos a idosos, muitos ainda as confundem e não sabem distingüir uma da outra.

“Em nossa cultura as pessoas costumam colocar tudo dentro do mesmo balaio, como fazem com as gripes e resfriados, mas eles não são a mesma coisa. Ouvimos falar muito que a gripe é um resfriado mais intenso, mas não tem nada a ver. Elas são doenças respiratórias distintas, pois o resfriado ocorre o ano todo e é causado por centenas de vírus diferentes, enquanto a gripe apenas por um, o influenza, que normalmente manifesta-se e circula durante o inverno”, compara Cláudia Gasparian, gerente médica de um dos laboratórios farmacêuticos mais conceituados do País.

E é justamente pela maior diversidade de vírus causadores que, conforme a médica, os resfriados são mais comuns que as gripes, que demoram de uma a duas semanas para serem curadas. “Geralmente, as pessoas ficam muito mais resfriadas que gripadas. Mas isso não significa que seja difícil pegar gripe, pois a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, anualmente, de 10% a 20% da população mundial é infectada pela doença”, aponta Gasparian. E acrescenta: “Não sei se poderia dizer que a gripe é a doença mais popular do século, mas certamente está entre as mais massificadas, bem como as moléstias respiratórias em geral.”

A médica esclarece também as principais diferenças entre as duas doenças. “Uma das características da gripe é o começo súbito e repentino, ao passo que o resfriado se inicia de forma mais gradual. Além disso, ela apresenta sintomas sistêmicos, como dores no corpo e na cabeça, mal estar geral e sensação grande de cansaço, além de coriza, nariz congestionado e dores de garganta. A gripe também se notabiliza pela presença de febre alta e são raras as oportunidades em que a doença se manifesta sem ela. Já os sintomas dos resfriados são menos intensos e se concentram nas vias respiratórias superiores, como nariz congestionado, coriza, garganta arranhando e, quando surgem, febres baixas”, explica.

Gasparian enfatiza, ainda, que outro diferencial das gripes, quando comparadas aos resfriados, são as complicações que elas podem gerar à saúde. “Por ser um vírus muito agressivo, o influenza deixa o organismo mais debilitado e abre as portas para infecções e outras complicações, como as pneumonias, que são a maior causa de morte dos idosos. Cerca de 50% dessas pneumonias que levaram a óbito são causadas pelo influenza. Por isso, o vírus da gripe pode matar pessoas que já tenham problemas no coração ou que estejam com a imunidade deprimida, além de ajudar outras infecções bacterianas se instalarem”, destaca.

Outro fator destacado pela médica é a enorme capacidade de mutação do vírus gripal, a maior entre todos os causadores de doenças respiratórias. “Ele muda com rapidez e facilidades absurdas e é por essa razão que temos de nos vacinar todos os anos. E a vacina não tem contra-indicações. Há apenas exceções que têm de ser avaliadas caso a caso. Além disso, a cobertura vacinal também não é 100%, pois sua eficiência gira entre 60% a 80% e 20% das pessoas que a tomaram podem ficar gripadas algum tempo depois, não por conta da vacina mas sim pela extrema capacidade de mutação do vírus da gripe”, sustenta.

A médica ressalta também a importância das pessoas aprenderem a distinguir as diferenças entre as duas doenças para saber tratá-las adequadamente. “Se, infelizmente, o Brasil um dia for atingido por uma pandemia - quando uma doença se espalha pelos continentes - será uma tragédia, pois se muitos não sabem nem que o é uma gripe, não saberão também como se comportar para superá-la. Por isso, é preciso mudar a cultura desde já, pois sabendo lidar com uma gripe comum será mais fácil orientar a população, durante uma eventual pandemia, de como usar um medicamento ou tomar a vacina”, conclui Gasparian.

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Exemplos

Quem nunca pegou gripe ou resfriado, merece ser estudado. Em virtude do caráter popular dessas doenças, não é difícil encontrar quem já tenha sido vítima delas.

A bauruense Luciandréa Pereira é uma das que sofreu recentemente com os efeitos de um resfriado. “Fiquei ruim demais”, recorda ela, que aprendeu a diferenciar as gripes dos resfriados. “As gripes sempre são mais fortes e, entre outros sintomas, causam dores no corpo, enquanto os resfriados são mais leves. Entretanto, temos o costume de falar que estamos gripados mesmo estando apenas resfriados”, analisa.

Mas Pereira, que apela para os remédios antigripais para amenizar os sintomas da doença, teve um complicador adicional para saber distingüir as duas moléstias respiratórias: ela também é portadora de rinite alérgica, que tem como um dos sintomas característicos os espirros constantes e nariz congestionado. “Nesse caso é mais fácil, pois para desencadear as crises de rinite basta qualquer cheiro diferenciado, como perfumes e fumaça de cigarro”, conta.

Já o bauruense Ângelo Pereto, outro que tem boas noções sobre gripes e resfriados, afirma que, a exemplo de sua família, quase não é alvo dessas doenças. “Faz 20 anos que peguei a última gripe. Depois disso, nem resfriados passaram perto de mim, da minha esposa e dos meus filhos”, comenta. Pereto atribui a resistência às moléstias à alimentação. “O segredo é esse mesmo. Nunca ficamos sem comer frutas, verduras e legumes nas refeições”, frisa.