08 de julho de 2026
Internacional

Tanques israelenses invadem Líbano

Por Marcelo Ninio e Michel Gawendo | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Beirute - Tanques e escavadeiras blindadas de Israel entraram ontem no Sul do Líbano, e soldados assumiram posições em aldeia xiita antes dominada pela organização Hizbollah. Há combates em pelo menos outras três aldeias da região da fronteira e até 7 km dentro de território libanês.

Milhares de soldados e blindados estão posicionados no Norte da Galiléia, ao longo da fronteira com o Líbano, para participar das operações, que segundo o governo israelense serão “limitadas” e não visam a reocupar o Sul libanês.

A tática é entrar com forças reduzidas, com apoio de engenharia e artilharia, para encontrar armas do Hizbollah e forçar os guerrilheiros a recuar para além do rio Litani, a pelo menos 20 quilômetros da fronteira. Os soldados entraram na aldeia de Marou al Ras no início da manhã de ontem, depois de dois dias de combate com membros do Hizbollah em que seis militares israelenses foram mortos e a após uma noite de bombardeios pesados.

Aviões de Israel usaram uma bomba de meia tonelada de explosivos contra a rede de túneis fortificados usada pelo grupo xiita. Segundo fontes militares, a aldeia é estratégica pois tem visão para grande parte da área de fronteira. O Exército afirma ter atingido mais de 150 alvos do Hizobollah e encontrado munição, fuzis e mísseis do grupo em outra aldeia.

No Leste e no Norte do Líbano, aviões israelenses bombardearam duas torres de comunicação, interrompendo serviços de TV e telefonia celular. Os ataques foram nas montanhas de Kesrwan, a leste de Beirute, e Terbol, no norte. A principal emissora de TV do país, Lebanese Broadcasting Corporation (LBC), teve suas transmissões parcialmente suspensas.

Logo após o ataque, a LBC colocou no ar imagens da torre da emissora no norte exalando uma coluna de fumaça. Um funcionário foi morto no bombardeio, informou a emissora. Israel já tinha bombardeado instalações da emissora do Hizbollah, Al Manar, que, no entanto, continua no ar.

Na última quarta-feira o premiê do Líbano, Fouad Siniora, disse que os mortos na ofensiva de Israel -iniciada no último dia 12 em retaliação ao seqüestro de dois de seus soldados pelo grupo xiita - haviam chegado a 330, mas alguns veículos internacionais estão usando o número de 263 baixas.

O Hizbollah já matou 36 israelenses, entre eles 17 civis e 19 soldados. Nos últimos dias, Israel vem mandando mensagens por rádio e panfletos para cerca de 300 mil pessoas deixarem o Sul do Líbano, afirmando que atacará alvos do Hizbollah mesmo se houver risco de atingir civis. Mas milhares não conseguem sair porque as estradas foram danificadas por bombardeios.

Ataques a Israel

O Hizbollah disparou ontem mais de 100 foguetes Katyusha contra o Norte de Israel, incluindo seis em Haifa, a terceira maior cidade do país. Ao menos quatro pessoas foram feridas, e as bombas causaram danos a casa e incêndios florestais na Galiléia e em Golã.

As ruas na região continuam vazias, pois quem não fugiu está em abrigos subterrâneos. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, deve viajar hoje para a região. O presidente George W. Bush disse que o foco é traçar estratégia para confrontar o Hizbollah e aqueles que o apóiam na Síria e no Irã. Na última sexta-feira, Rice descartou pedir um cessar-fogo a Israel.