São Paulo - O enterro do ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, marcado para as 16h, começou com cerca de uma hora de atraso. O cortejo que seguiu o carro fúnebre com o corpo do ator saiu às 15h10 do hospital Sírio-Libanês, onde foi realizado o velório, e levou mais de uma hora e meia para chegar ao cemitério Jardim da Serra (Mairiporã), na região da serra da Cantareira, local do enterro.
Guarnieri morreu anteontem, aos 71 anos, em decorrência de complicações geradas por insuficiência renal crônica. Ele estava internado desde 2 de junho no Sírio-Libanês. Diversos familiares e amigos foram se despedir do ator. Na noite de anteontem, Antônio Fagundes, Giuseppe Oristânio e Juca de Oliveira compareceram ao velório, fechado para o público.
O movimento no local se intensificou a partir das 11h de ontem, com a chegada de mais parentes e amigos de Guarnieri - entre eles, a atriz Eva Wilma, e os atores John Herbert, Othon Bastos, Renato Consorte e Antônio Petrin. A maioria das pessoas presentes no velório seguiu o carro fúnebre em um longo cortejo até o cemitério.
Carreira
Guarnieri nasceu em 6 de agosto de 1934 em Milão, Itália, e veio para o Brasil com sua família em 1937. Ele era casado há 40 anos com a socióloga Vanya Sant’Anna, 62 anos. Antes, havia sido casado com Cecília Thompson, com quem teve seus primeiros filhos, Flávio e Paulo Guarnieri. Com Vanya, teve mais três filhos. Ele foi autor de cerca de 25 textos, muitos deles musicais, como “Arena Conta Zumbi’ (1965) e “Arena Conta Tiradentes’ (1965), em co-autoria com Augusto Boal.
Ator e dramaturgo, foi homenageado no 18.º Prêmio Shell de Teatro São Paulo, cuja cerimônia ocorreu em abril último, por sua contribuição ao teatro brasileiro. Em agosto de 2005, recebeu a medalha de mérito “Ordem do Ipiranga" do governo paulista. Entre os momentos marcantes destaca-se o longa-metragem “Eles Não Usam Black-Tie’ (1981), dirigido por Leon Hirszman, baseado numa peça de sua autoria que estreou em 1958 no mitológico Teatro de Arena.
Em 2003, após cinco anos longe dos palcos devido aos seus problemas de saúde, voltou ao teatro para um espetáculo juvenil, “O Pequeno Livro das Páginas em Branco’. Na TV, participou de diversas novelas, como “Esperança’ (2002), “Terra Nostra’ (1999), “Serras Azuis’ (1998), “A Próxima Vítima’ (1995), “Pátria Minha’ (1994), “Rainha da Sucata’ (1990) e “Cambalacho’ (1986).
Sua última participação foi em “Belíssima". Sua carreira também foi marcada por longas-metragens, entre eles “O Grande Momento’ (1958), “O Jogo da Vida’ (1977), “O Quatrilho’ (1995), além de “Eles Não Usam Black-Tie’.
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Repercussão
JOÃO BATISTA DE ANDRADE, secretário estadual da Cultura e cineasta (dirigiu Guarnieri em “A Eterna Esperança” e “A Próxima Vítima”) “Guarnieri foi fundamental para a formação de minha geração cultural. Marcou pela inventividade, pelas propostas novas do Arena, e, depois do golpe de 1964, foi corajoso ao lutar pela democracia, como criador, como artista.”
JUCA DE OLIVEIRA, ator e autor teatral “Foi um dos mais importantes dramaturgos do teatro brasileiro moderno, o primeiro a colocar o homem comum no palco. Com “Eles Não Usam Black-Tie’, levou o ambiente do operário brasileiro para o palco. Também foi um excepcional ator, um talentosíssimo intérprete. Morreu um grande artista, um grande intelectual.”
FERREIRA GULLAR, poeta “Sempre o admirei como teatrólogo, como ator e ser humano. Era um amigo afetuoso e bom. Inconformado com a desigualdade social de nosso país, pôs seu talento a serviço de mudar nossa sociedade. Foi um raro e comovido artista. Ficamos mais pobres com a sua morte.”