São Paulo - As negociações da Rodada Doha, para liberalização do comércio mundial, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), entraram mais uma vez em colapso, com a falta de acordo entre as principais partes negociadoras envolvidas no processo - Brasil, Austrália, União Européia (UE), Índia, Japão e EUA. “Isso é um grave retrocesso, um grande retrocesso”, disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Já o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, disse que as negociações foram suspensas e que “pode levar de meses a anos” para que sejam retomadas. Outro encontro dos representantes da OMC estava marcado para os dias 28 e 29 deste mês.
O encontro entre representantes das seis partes mais envolvidas nas negociações realizado neste fim de semana foi organizado pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy. “Infelizmente ficou claro anteontem que a versão “light" da Rodada Doha ainda parece ser a opção preferida de alguns participantes”, disse a a chefe do USTr (espécie de Ministério do Comércio Exterior dos EUA), Susan Schwab. Schwab disse ontem que os EUA estão comprometidos com uma “rodada robusta, ambiciosa e equilibrada”.
O secretário da Agricultura dos EUA, Mike Johanns, disse que os principais passos adiante dos outros países “pareceram ficar mais e mais tímidos nas últimas semanas”. Representantes da organização, no entanto, disseram que os EUA deveriam ter melhorado sua oferta de cortes de subsídios aos agricultores americanos.
A posição do governo dos EUA, no entanto, se manteve: mexer nos subsídios apenas quando a UE baixar suas tarifas sobre importações agrícolas e quando os países em desenvolvimento - como Índia e Brasil - cortarem as barreiras às importações de produtos industrializados. O comissário da União Européia para o Comércio, Peter Mandelson, culpou os EUA pelo fracasso na negociação de um acordo. “Os EUA não estavam dispostos a aceitar, ou mesmo reconhecer, a flexibilidade apresentada pelos outros” parceiros na negociação, disse Mandelson.
A atual rodada de negociações teve início em 2001, na cidade de Doha (capital do Qatar), com o objetivo de reduzir as restrições ao comércio mundial, com ênfase na redução de barreiras aos produtos vindos de países em desenvolvimento, a fim de reduzir a pobreza mundial. Desde 2003, no entanto, as negociações estão estagnadas, depois do impasse a que chegaram na reunião ministerial ocorrida em Cancún, no México.
Outro fator que pressiona para que o impasse na OMC seja logo resolvido é o fim do “fast track” nos EUA, que expira em 2007. O “fast track”, ou TPA (Autoridade para Promoção Comercial), é uma autorização dada pelo Congresso ao presidente americano, George W. Bush, para, durante cinco anos, negociar acordos comerciais. O Congresso pode aprovar ou rejeitar (em um prazo de 90 dias) os acordos feitos por Bush, mas não pode modificar os acordos.