Em 1958, quando o Brasil foi campeão pela primeira vez, a Imprensa dizia que o técnico Vicente Feola era gordo e dormia no banco de reservas, durante as partidas. Isso permitia que os jogadores combinassem jogadas e variações táticas no decorrer do jogo. Consta também que foram os próprios jogadores, capitaneados por Nilton Santos e Didi, que exigiram a entrada de Pelé e Garrincha no jogo contra a Rússia. Infelizmente, nesta última Copa nosso time não tinha ninguém parecido a Nilton Santos ou a Didi, para mudar a equipe. No que diz respeito à política, em nossas crises recentes sempre vemos um magro no centro das controvérsias: Carlos Lacerda, Jânio Quadros e Collor, por exemplo. Esse ponto de vista tem base na psicologia, na medida em que o alemão Ernst Kretschmer, em 1930, afirmava que: “a forma do corpo humano influencia no desenvolvimento de sua personalidade”. É claro que os meninos musculosos têm mais inclinação para a briga e que os obesos preferem mais o diálogo e a conciliação. O velho historiador Plutarco dizia que o imperador Júlio César, há 2.000 anos, comungava com essa teoria pois, referindo-se a Brutus e Cássio, dois de seus futuros assassinos, disse:
“Não é de pessoas gordas e bem penteadas que eu tenho medo. Tenho mais medo desses homens magros e pálidos!”
Rui Bertoti