10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Empresa confirma gás natural em 2007

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A empresa Gás Brasiliano confirmou à Prefeitura de Bauru os investimentos para a distribuição de gás natural na cidade. De acordo com os projetos entregues à Secretaria de Desenvolvimento Econômico na última quarta-feira, as obras da estação de descompressão vão começar em agosto, numa área anexa ao Distrito Industrial 2. Além disso, serão implantados 14 km de tubulação interligando os distritos 1 e 2 à estação. O início da distribuição do gás está previsto para janeiro de 2007.

As afirmações são do secretário de Desenvolvimento, Walace Sampaio. Segundo ele, a empresa também já anunciou para o próximo ano o início das operações de um posto de gás natural veicular (GNV) na cidade. A Gás Brasiliano é a concessionária responsável pela distribuição do gás natural, oriundo da Bolívia, na área Noroeste do Estado, o que inclui as regiões de Bauru, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araraquara, até as fronteiras com os Estados do Paraná e Minas Gerais.

Ontem, a reportagem não conseguiu entrar em contato com nenhum representante da empresa, apesar das várias tentativas. Contudo, o cronograma divulgado agora pela empresa confirma o projeto inicial divulgado pelo Jornal da Cidade em 2004, com um pequeno atraso. Na época, a informação era de que em dezembro deste ano o produto já estaria disponível.

De acordo com o secretário, no início o gás chegará a Bauru por transporte rodoviário, saindo de Araraquara em carretas especiais. Chegando aqui, será armazenado na estação de descompressão para, então, ser distribuído a clientes comerciais (maioria) e residenciais. Isso será possível por meio da tubulação que será implantada na cidade.

“Em 2007 começará a ser construído o ramal de rede primária ligando Bauru ao gasoduto, em Guaiçara, que deverá entrar em operação em 2009. Quando isso acontecer não será mais necessário o transporte rodoviário, o que vai baratear ainda mais o custo do produto. A partir de agora, todos os procedimentos serão muito rápidos, porque esses projetos já foram amplamente discutidos com a Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente), Seplan (Secretaria de Planejamento) e com o DAE (Departamento de Água e Esgoto)”, afirma Sampaio.

Residências

O secretário destaca, ainda, que também está prevista para o próximo ano a extensão da rede secundária do Distrito Industrial 1 em direção ao Jardim Contorno. O objetivo é atender condomínios residenciais daquela região. Nas residências, o gás natural substitui o gás liqüefeito de petróleo (GLP).

“Por onde a tubulação da empresa passar, será possível disponibilizar o gás natural a residências. No início ela vai passar pelo Jardim Contorno, mas com o tempo a utilização do produto será estendida a outras regiões da cidade. Eu não conheço com detalhes os aspectos de custo do produto, mas pelo que sei, o gás natural só perde para a lenha em termos de economia”, observa.

De acordo com Sampaio, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico propôs à regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru a realização de um encontro com as empresas dos distritos 1 e 2, e demais interessados, para a apresentação dos planos da Gás Brasiliano para a cidade.

Para o secretário, a chegada do gás natural será um grande fator de incentivo para a instalação de novas indústrias em Bauru e na região, além do aumento da capacidade competitiva das empresas já instaladas. Nas indústrias, o produto pode ser utilizado no aquecimento de caldeiras, fornos e estufas.

São clientes em potencial as grandes indústrias, principalmente no ramo de alimentação, o que pode até favorecer a implantação de uma indústria de processamento de laranja na cidade, assunto que vem sendo amplamente discutido.

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Matriz energética

Na avaliação do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Ricardo Coube, a vinda do gás natural a Bauru tem uma grande importância para as indústrias como uma alternativa de matriz energética e também para a redução de custos.

“Estudos recentes mostram que, a partir de 2009 ou 2010, o País voltará a ter sérios problemas de energia. Então, para as empresas que têm projetos de expansão do consumo de energia, a opção do gás natural é uma garantia de poder crescer sem se preocupar com a oferta da fonte energética. Para muitas empresas, energia é matéria-prima prioritária. A vinda do gás ancora todos esses projetos de expansão”, diz Coube.

Segundo ele, mesmo enquanto for utilizado o transporte rodoviário para a distribuição do gás, é uma grande vantagem competitiva para as empresas. “Em função do que se prevê em relação a outras fontes de energia, o gás natural continua se mostrando competitivo ao longo dos próximos anos”, afirma.