09 de julho de 2026
Cultura

Apollo: de Bauru para Gramado

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

No começo era apenas mais um trabalho acadêmico, um vídeo produzido por amadores. Mas o curta musical “Apollo”, realizado por estudantes do quarto ano do curso de jornalismo da Universidade do Sagrado Coração (USC) e músicos da cidade, revelou grandes talentos, agora reconhecidos com a seleção do vídeo para o 14.º Gramado Cine Vídeo, realizado entre os dias 14 e 19 de agosto, em Gramado (RS).

A notícia foi recebida com muita euforia neste domingo. “Foram mais de 850 filmes inscritos, entre documentários, ficções e clipes. Desses, eles selecionaram aproximadamente 150 para a mostra competitiva e 20 para a paralela. Nós estamos nesta última. É uma alegria imensa”, diz o diretor Vítor Cardoso, que assina a direção juntamente com Fernando Lima.

Mas faltou pouco para o vídeo não participar do festival. O último dia para inscrição era 27 de junho e o curta ficou pronto apenas no dia 14. Mesmo com a data no limite, os diretores ainda tiveram que realizar alguns cortes para cumprir os critérios exigidos pela mostra. “A versão original tem 34 minutos, mas lá só eram aceitos vídeos com 25 minutos. Foi triste, mas tivemos que cortar uma música inteira”, lamenta Cardoso.

A idéia de um curta musical surgiu em novembro, antes mesmo da disciplina de jornalismo televisado exigir a produção. “Era uma vontade minha e do Fernando. Queríamos fazer algo diferente e pensamos no musical. Em janeiro, fui para São Paulo fazer um curso de teatro musical, e em fevereiro, em pleno Carnaval, nós dois ficamos escrevendo o roteiro”, lembra.

O curta contou com a participação de mais de 50 pessoas, entre produção, atores, corpo de baile, músicos e figurantes. Para viabilizar o projeto, estimado em R$ 7 mil, os estudantes tiveram que fazer, inclusive, um empréstimo bancário. “Enfrentamos problemas para cobrir os gastos, porque o filme foi produzido em formato digital e a universidade não tinha toda a estrutura para nos oferecer. Contratamos atores e também gravamos o CD com toda a trilha sonora. Foi um trabalho muito grande, mas que valeu a pena”, diz o diretor.

“Apollo” conta a história de um locutor de rádio famoso, de 22 anos, que vive entre dois mundos: o da estrela do rádio e o de anônimo fora dos estúdios. “Ele enxerga a vida pela música, por isso o musical. Nós também quisemos trabalhar com esse tema para saciar a curiosidade que as pessoas têm pelos bastidores da televisão e do rádio”, diz Cardoso, que também explica o nome do curta. “O título faz uma alusão ao deus grego Apolo, que é o deus da arte e da música”.

Musical

Para produzir um bom musical é necessária uma grande sintonia entre texto e melodia. Foi em busca dessa união que os músicos e diretores musicais de “Apollo”, Thiago Ortigosa e Josiel Rusmont, debruçaram-se por um mês. “No começo de abril, o Vitor Cardoso me entregou o roteiro com as letras e a melodia. Tivemos uma semana para dar forma à música e um mês para finalizar os arranjos e contratar os músicos para gravarem em estúdio”, conta Ortigosa.

Cada cena do curta foi interpretada pelos músicos com ritmos diferentes, passando por tango, rock, blues, folk e até baião. O diretor musical lembra de uma das trilhas sonoras mais trabalhosas. “A faixa três ‘A Briga’ mistura sete ritmos diferentes na mesma música. Fizemos o arranjo de forma que acompanhasse o clima da cena, que começava leve e progredia para uma discussão”.

Aproximadamente 15 músicos participaram da execução da trilha sonora: Thiago Ortigosa e Josiel Rusmont (guitarras e violões), Thiago Rodrigues (bateria), Renato Lago (contrabaixo), Eliezer D’Ávilla (teclados), Paulo Almeida (percussão), Deva Val Mont (trompete), André Luiz Maurício (sax), Caio Santos (trombone), Roger Bertinotti (violino) e Marcelo Torres (violoncelo), além da participação dos solistas Éder Thomazi e Deise Marques e de um pequeno coro.

As nove trilhas do musical foram gravadas no Estúdio Cria Som de Bauru. O resultado deve ser lançado em CD nas próximas semanas. “Foi um processo trabalhoso, mas recompensador, ainda mais agora com a seleção em Gramado. Bauru nunca foi representada por filme nenhum e a nossa primeira produção já tem esse resultado? É fantástico!”, complementa o músico.