08 de julho de 2026
Auto Mercado

Profissão sorriso

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Conviver com motoristas, sejam eles de ônibus, táxis ou caminhoneiros, e motociclistas, como os mototáxis, faz parte da rotina de milhões de pessoas no País. E os frutos dessa relação são capazes de gerar um número sem fim de situações que, não raro, tendem para o lado cômico. E são justamente estas histórias engraçadas que o AutoMercado & Cia foi procurar - e encontrou várias - nas ruas de Bauru com quem exerce tais profissões.

O condutor de ônibus Cláudio Cardoso, há cinco anos na atividade, lembra-se de várias oportunidades em que não conseguiu conter o riso. Duas delas envolveram pedestres distraídos. “Em uma delas, estava estacionando o coletivo e me aproximei de um rapaz com uma bicicleta, que não me viu chegando. Já era noite e a hora em que ele viu o farol do ônibus se aproximando, se assustou tanto que caiu com a bicicleta e tudo em um matagal ali por perto”, diz. “A outra foi com um garoto que estava empinando pipa no meio de uma rua. Ele estava tão entretido com a brincadeira que continuou a vir de costas em minha direção. Tive de parar o ônibus para não atropelá-lo e ele chegou a encostar na frente do coletivo. Quando isso ocorreu e ele viu tratar-se de um ônibus, saiu correndo como um doido”, relata.

Mas Cardoso afirma que ninguém dá mais trabalho dentro dos coletivos que os passageiros bêbados. “Tem os passageiros chatos, que perguntam se o ônibus está atrasado ou qual é o itinerário somente depois que entra na circular. Mas os bêbados são dureza, pois temos de ter cuidado redobrado na condução para evitar que eles caiam ou vomitem em cima dos outros. Já peguei gente alcoolizada que espera chegar no bairro para falar que queria ficar no Centro e até quem durma no fundo do ônibus”, recorda.

Já o caminhoneiro Claudemir Donizeti dos Santos, de Itu (SP), conta uma história inesquecível para ele. Popularmente conhecido como “Tanque”, apelido inscrito no capô do seu “bruto”, Santos relembra que o episódio ocorreu durante o carregamento da carga, no caso combustível, do caminhão-tanque de que é proprietário. “Um ajudante estava em cima do caminhão cuidando da bomba de abastecimento quando teve uma dor de barriga fortíssima. Ele não sabia o que fazer e, como o desconforto intestinal era muito intenso e não daria tempo dele sair de lá, não teve dúvidas: aliviou-se por cima do caminhão mesmo”, ressalta o caminhoneiro. E completa: “Imagina só o que aconteceu depois que ele desceu, com a cueca que serviu de papel higiênico toda suja na mão? Foi uma gozação só.”

Outros donos de “causos” imperdíveis são os mototaxistas, como o bauruense Ricardo Wagner, que atua há três anos na profissão. “Cada corrida que a gente faz é uma história nova para contar”, resume o mototaxista. Uma das que ele se lembra para narrar ocorreu recentemente, quando ele praticamente teve de se transformar em um detetive. “Uma mulher ligou pedindo que eu seguisse o marido dela. E foi o que fiz. Acompanhei-o sem que me visse até um bar e fiquei olhando por um tempo. Para sorte do cara e da mulher ele se comportou direitinho”, sustenta.

Já o responsável pelo estabelecimento em que Wagner trabalha, Salvador Rodrigues Júnior, que também é mototaxista e professor, também tem a sua história para contar. “Atendi uma corrida uma vez que, quando cheguei no endereço, notei que outros mototaxistas também começaram a encostar procurando a mesma casa. Chegaram tantos que parecia um encontro da classe. Depois descobri que tratava-se de uma possível vingança de uma pessoa que, como não gostava de outra que residia naquele local, chamou vários mototaxistas ao mesmo tempo. Como alguns queriam receber pela corrida, e não foram atendidos pela dona da casa, o que não faltou foram palavrões e xingamentos”, destaca Júnior.

Quem também não fica atrás no quesito “histórias cômicas” são os taxistas. O bauruense Antonio Carlos Marcandelli, com 20 anos de experiência na praça, conta uma que fez uma passageira passar por maus bocados. “Ela pediu que a levasse até um lugar para comprar mel e, já durante o retorno, ela veio apreciando um favo enorme. Ela comeu tanto que não demorou muito para ficar com uma tremenda dor de barriga e, por isso, com pressa para voltar para casa”, conclui.