09 de julho de 2026
Auto Mercado

De bike pela Estrada Real

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Junte a vontade de voltar a pedalar por lugares diferentes com o desejo de conhecer a Estrada Real, um dos pontos turísticos históricos mais badalados de Minas Gerais. Pois foi isso que moveu o autônomo bauruense Marcelo de Rezende e o representante comercial campineiro Carlos Coelho a encararem o desafio de percorrer a travessia de cerca de 700 quilômetros, partindo de Ouro Preto (MG) com destino a Parati (RJ), montados em bicicletas.

O trecho, vencido em 11 dias pelos amigos cicloturistas, é conhecido como o “Caminho Velho” e corresponde a mais da metade da extensão - ela tem cerca de 1.200 quilômetros - da Estrada Real, caminhos surgidos no século 18 e cujos traçados serviam para interligar os centros mineradores aos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Atualmente, os vestígios remanescentes desses antigos trajetos, juntamente com os artefatos, as ruínas e a paisagem exuberante, constituem testemunhos importantes da história da terra do pão de queijo.

“Cerca de um mês antes da viagem, estava conversando com o Carlos, que também adora bike, e falei que tinha um sonho de fazer essa aventura. Mas como estava meio paradão, e há um certo tempo sem pedalar, deixei a idéia de lado. Mas, de repente, deu uma loucura na gente e resolvemos encará-la”, conta Rezende. E acrescenta: “Como não tínhamos muito tempo para nos prepararmos, em virtude do Carlos estar no final das férias, decidimos tudo meio na correria. Assim, juntamos nossos apetrechos, preparamos as bicicletas, reunimos um pouco de dinheiro, cerca de R$ 1.200,00, e partimos de ônibus até Ouro Preto para iniciarmos a viagem.”

Mas a pressa e o esforço valeram a pena. Pedalando diversas horas por dia, dormindo e se alimentando em hotéis e pousadas e enfrentando chuvas torrenciais durante cinco dias, Rezende e Coelho foram recompensados por uma aventura que jamais será esquecida pelos ciclistas. “A Estrada Real é maravilhosa, principalmente por contar com paisagens encantadoras e por ser uma ótima opção para o turismo religioso, pois ela possui centenas de igrejas, uma mais bonita que a outra, ao longo do caminho. Além disso, a hospitalidade do povo mineiro é cativante”, enfatiza Rezende.

Já para Coelho, o passeio serviu como reflexão existencial. “A simplicidade do povo mineiro que vivia nos pequenos municípios onde passamos serviu para demonstrar que é preciso muito pouco para sermos felizes na vida. Isso porque notamos que, mesmo vivendo com recursos limitados em cidades pacatas e serenas, as pessoas estavam sempre dando risada e de bom humor”, destaca. E completa:

“É uma viagem fantástica por lugares fantásticos. Chegamos a enfrentar trilhas pesadíssimas, com subidas de quatro quilômetros com piso de cascalho, mas quando avistávamos uma paisagem bonita, o cansaço era até amenizado por isso.”

Os cicloturistas gostaram tanto que já alimentam outro sonho: concluir a parte que ficou para trás da Estrada Real, que é o trecho de aproximadamente 500 quilômetros compreendido entre os municípios de Diamantina a Ouro Preto. “Se conseguirmos tempo e recursos, não pensaremos duas vezes em voltar para lá a fim de terminarmos a Estrada Real por inteira”, salienta Rezende.