10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Acib projeta cooperativa de crédito

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) deu mais um passo em direção à criação de uma cooperativa de crédito na região. Ontem, uma palestra realizada na sede da entidade reuniu comerciantes e industriais da cidade e de municípios vizinhos. No evento, os empresários tiveram a oportunidade de esclarecer dúvidas sobre a modalidade com Carlos Antônio Pereira Barbosa, consultor de fomento da Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo (Cecresp), e com o diretor de negócios da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empresários de Ribeirão Preto e Região (Cooperac), Cleison Scott.

O presidente da Acib, Cássio Nunes Carvalho, informa que, com a reunião, espera conseguir mais sócios-fundadores para o empreendimento. “Já temos o número mínimo para dar início ao processo, mas queremos a adesão de mais empresários, principalmente da região”, conta. O objetivo da cooperativa é oferecer crédito aos sócios a custos mais baixos que os praticados pelas agências bancárias. A previsão é que 10 mil empresários de 22 cidades da região sejam beneficiados.

De acordo com Carvalho, a intenção é fundar a cooperativa com cerca de R$ 300 mil em caixa. A expectativa do dirigente é de que até março a instituição esteja em funcionamento. “A formatação da cooperativa será semelhante à de Ribeirão, envolvendo a região e todos os segmentos como comércio, indústria e prestação de serviço”, explica.

Crescimento

Com a instalação da cooperativa, a expectativa é de que o número de sócios se multiplique. “É um projeto que pretende fomentar Bauru, para que todos cresçam de forma coerente”, analisa Carvalho.

Scott, que foi um dos diretores técnicos da cooperativa de crédito de Ribeirão Preto, explica que o modelo regional é novo. O empreendimento daquela cidade está funcionando em caráter experimental e iniciará as atividades no dia 8 de agosto, aniversário da associação comercial de Ribeirão.

“Pela lei que regulamenta a atividade das cooperativas de crédito, a entidade pode emprestar até 10% de seu capital para cada um dos sócios. Por isso, quanto maior o número de sócios, melhor”, analisa.

De acordo com Scott, a cooperativa proporciona mais facilidade para a obtenção de crédito, e taxas abaixo do que as agências bancárias cobram. “As regras são mais flexíveis, muito menos burocráticas. Além disso, o tratamento é mais humano”, avalia. O diretor explica que cada cooperado é um sócio com poder de voto nas decisões da entidade.

Para participar da cooperativa é necessário ser empresário, a empresa tem que estar em atividade, participar de uma associação como a Acib e que ela esteja filiada a uma associação maior, no caso de Bauru, a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

A proposta não é exclusiva a pequenos ou microempresários. Os grandes negócios também podem investir na cooperativa. “Dessa forma, os grandes empresários podem oferecer crédito a seus clientes e fornecedores”, avalia Scott. O diretor ressalta que a posição geográfica da cidade é um fator que deve ser explorado.

“Bauru é um centro logístico interessante para qualquer negócio. Mas é preciso disponibilizar crédito para os empresários”, observa. “O empresário brasileiro paga a maior quantidade de impostos e a maior taxa de juros do mundo. A cooperativa não resolve todos os problemas, mas minimiza muito as situações”, ressalta Scott.