09 de julho de 2026
Articulistas

As pequenas empresas


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A prosperidade de um país e do seu povo se faz através das instituições organizadas e do pleno emprego. Infeliz da Nação que não consegue agasalhar as necessidades de trabalho de sua população. Cria-se uma verdadeira legião de frustrados e, por conseqüência, a instabilidade geral. Uma das formas, se não for a primeira delas, é o incentivo às micro e pequenas empresas, mas não é isso que se nota por parte do governo. Seja pela legislação ou pela escorchante carga tributária, percebe-se que milhares e milhares de pequenos estabelecimentos fecham diariamente e, com eles, legiões de empregados se vêem a mercê de programas sociais que, ao invés de dar oportunidades e dignidade, distribuem migalhas.

No Brasil, a maioria das microempresas encerram suas atividades com pouco mais de um ano de exercício, conforme pesquisa existente. As que conseguem sobreviver desempenham papel importante na vida econômica e social de sua comunidade, gerando empregos e riqueza. Entre os principais fatores que contribuem para o encerramento das atividades encontram-se aqueles relacionados à falta de tecnologia. A obtenção de crédito também é um importante fator de preocupação pois ao procurar recursos para sua empresa; o pequeno empresário encontra na burocracia grandes dificuldades. Necessita de tempo e dinheiro para atender a todas as exigências, mesmo que o valor do financiamento seja mínimo. Com essas dificuldades, ele busca outras formas de empréstimos, direcionados à pessoa física, com menos burocracia , mas com juros mais elevados. Resulta daí que os lucros obtidos com seu negócio não cobrem os juros e, conseqüentemente, é obrigado a fechar as portas. Conforme dados do final da década de 90, as micro e pequenas empresas correspondem a 97% do total de estabelecimentos do Estado de São Paulo.

Com todas essas dificuldades, o pequeno empresário acaba perdendo na competição para redes maiores e o grande comércio e indústria. Pensando em minimizar o problema, o vereador Antonio Goulart enviou projeto de lei à Câmara paulistana, proibindo a concessão de alvarás de aprovação e construção de novos hipermercados no município de São Paulo. O projeto data de março de 2001 e já foi aprovado em primeira votação, faltando agora mais uma votação e a sanção do prefeito. Em sua justificativa, o edil mostra a disputa de grandes atacadistas na região Sul da Capital, resultando dessa guerra o fechamento de mercearias e pequenos supermercados. Segundo dados da Apas – Associação Brasileira de Supermercados, estes estabelecimentos criaram, de 1995 a 1999, 16.752 novas vagas de emprego, número apenas 11% superior aos empregos diretos e indiretos que deixaram de existir na Região Metropolitana de São Paulo, no mesmo período, em função do fechamento dos pequenos.

Se tomarmos como referência a Itália, vamos notar que sua economia está calçada na pequena e média empresa. Lá eles conseguem desenvolver o país, oferecer emprego e manter uma vida estável, sendo uma das primeiras economias do mundo, regulamentando e incentivando os pequenos. Não queremos, no Brasil, o fechamento das grandes empresas; ao contrário, queremos a convivência pacífica entre grandes e pequenos para gerar mais empregos e bem-estar a todos. Só exigimos mais respeito e atenção ao pequeno comércio e indústria.

O autor, Benjamin Ribeiro da Silva, é diretor licenciado do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo e vice-presidente licenciado da Federação Nacional das Escolas Particulares