07 de julho de 2026
Internacional

Confrontos no Líbano dividem EUA e Iraque

Por Sérgio Dávila | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - A primeira visita do premiê iraquiano à Casa Branca teve resultados divididos. Nuri al Maliki conseguiu arrancar de seu anfitrião, George W. Bush, o compromisso de desviar soldados já em ação no Iraque para a capital, Bagdá. Mas o republicano não obteve em troca o esperado apoio do líder xiita para sua posição sobre o conflito entre Israel e Hizbollah, de que um cessar-fogo imediato é uma solução ineficaz.

“Eu enfatizei a importância de um cessar-fogo imediato e de um chamado à comunidade internacional de apoio ao governo libanês, para ajudar o povo libanês a superar os danos e a destruição que aconteceram”, disse Maliki na entrevista coletiva conjunta que se seguiu à visita.

Ao seu lado, o presidente norte-americano diria: “Eu falei a ele que defendo um cessar-fogo sustentável, que possa fazer a violência chegar próxima do fim”. O pequeno mal-estar entre os líderes foi reforçado pela ameaça de políticos democratas de boicotar o discurso que Maliki fará amanhã no Congresso americano - o boicote teria como motivo o fato de o iraquiano não ter fechado 100% com as posições do governo Bush em relação ao conflito Israel-Hizbollah.

Três senadores chegaram a dizer que lhe pedirão explicações sobre as declarações dadas à rádio BBC, durante sua visita ao Reino Unido. “O que está acontecendo é uma operação de destruição em massa e de punição em massa e uma operação que usa a grande força que Israel tem, e o Líbano, não”, disse o premiê então. “A destruição de infra-estrutura não é consistente nem mesmo com as regras de guerra, mesmo se nós dissermos que há uma guerra.”

Analistas acreditam que Maliki, que assumiu em maio e vem governando um Congresso dividido de um país mais dividido, não quer alienar parte importante da população iraquiana, que simpatiza com o grupo extremista Hizbollah.

Indagado sobre o grupo hoje, saiu-se pela tangente, dizendo que “o sofrimento, na verdade, é do povo”. Mas também não pode abrir mão da ajuda americana, que promete continuar.

Depois de dizer que “a violência em Bagdá ainda é terrível”, o que contrasta com o tom positivo de seus discursos anteriores sobre a segurança do país, Bush anunciou que deslocaria tropas americanas de outras áreas para ajudar na segurança da capital iraquiana. Não citou números, mas seus assessores haviam vazado antes do encontro que pode chegar a 3.500 soldados - ou o equivalente a uma brigada.