08 de julho de 2026
Internacional

Israel mata 4 da ONU no Líbano

Por Michel Gawendo | Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Haifa - Um ataque israelense matou ontem quatro observadores da ONU no sul do Líbano, no mesmo dia em que o país anunciou a ocupação de uma “zona de segurança” na região até o envio de força internacional ativa para substituir a atual missão da organização. Os mortos são observadores da Áustria, do Canadá, da China e da Finlândia, segundo informações de militares libaneses.

A bomba atingiu o prédio na cidade de Khiyam, na fronteira leste entre o Líbano e Israel, disse Milso Struger, porta-voz da Unifil, sigla da força de paz da ONU na região. Ele disse que houve 14 outros incidentes de tiros perto da posição ontem e que os disparos israelenses “continuaram mesmo nas operações de resgate”.

O Exército de Israel disse que estava investigando o caso. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, foi informado, disse que estava procurando detalhes e pediu uma investigação. Anteontem, um tanque israelense atingiu uma posição da Unifil e feriu quatro soldados de Gana.

Na semana passada, estilhaços de um tiro de tanque israelense feriram um soldado indiano e um tiro disparado pelo Hizbollah feriu um observador italiano. Em outros ataques israelenses ontem, um míssil atingiu uma casa no Sul do Líbano e sete pessoas morreram, segundo a polícia. Outro míssil foi disparado contra uma loja na cidade de Nabatiye, matando um casal e 5 crianças.

A capital Beirute voltou a ser bombardeada depois de 2 dias. Uma série de explosões fortes atingiu o bairro xiita do Hizbollah. No campo de batalha, forças de Israel cercaram a aldeia xiita de Bint Jibeil, considerada a capital do Hizbollah no sul do Líbano, e mataram um dos líderes de operação do grupo, Khalil Amin Shivli, 44 anos.

Horas antes da morte dos observadores, o ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, disse que o país vai controlar territórios no Sul do Líbano e manter a ofensiva militar contra o grupo terrorista Hizbollah até que uma força multinacional ativa seja enviada ao Sul do Líbano.

Israel considera a Unifil “inútil”, por não ter evitado o domínio do Hizbollah no Sul do país vizinho. O ministro trabalhista afirmou que as dimensões da zona de segurança serão definidas durante os atuais combates.

“O principal foco do Exército atualmente é criar uma zona de segurança sob nosso controle, e até que seja estacionada uma força multinacional vamos continuar lutando”, disse Peretz. “Se não houver uma força multinacional que controle as cercas, que tenha poder efetivo, vamos continuar a controlar o Hizbollah com nosso fogo na direção de qualquer um que se aproxime da zona de segurança.”

Tropas de infantaria de Israel, com apoio de artilharia e de fogo aéreo, preparam-se para avançar contra aldeias ao redor de Bint Jibeil, seguindo o plano da zona de segurança.

A tendência do Hizbollah, segundo analistas, é evitar conflito direto com soldados israelenses e disparar de locais camuflados. Israel prefere o envio de uma força da Otan combinada com soldados de países árabes, como Egito e Arábia Saudita, para dar uma configuração local. Mas a comunidade internacional ainda não tem idéia de como formar uma força para o Sul do Líbano.

Os Estados Unidos já anunciaram que não vão participar. Grã-Bretanha e Alemanha também relutam. A França, que já tem tropas armadas no Líbano, anunciou que acha o conceito “prematuro” e a Otan nem começou a planejar solução.

Os países temem comprometer soldados em conflito direto com o Hizbollah, que manterá os ataques contra qualquer força estrangeira. Os europeus preferem o envio de forças depois de um cessar-fogo e que tenha consentimento do governo libanês. O grupo matou 241 militares norte-americanos e 58 franceses em um ataque suicida em Beirute em 1983. As forças haviam sido enviadas para o Líbano depois da invasão israelense, um ano antes. Entre 1982 e 2000, Israel manteve uma zona de segurança de 14 quilômetros no Sul do Líbano.

Autoridades da Otan disseram que foram pegas de surpresa pela idéia israelense de envio de tropas da organização. Enquanto o mundo debate, Israel avança no Sul do Líbano e países árabes e o Irã aumentam a retórica de guerra. O Exército israelense já mobilizou unidades de controle civil para o caso de presença prolongada, apesar de afirmar que não pretende ocupar o território e que a maioria dos civis libaneses fugiu antes da incursão.

A Síria, que já anunciou que atacará Israel se soldados aproximarem-se de sua fronteira com o Líbano, colocou suas forças militares em estado de alerta. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmedinajad disse que “o uso da força no Líbano pode provocar um furacão”.

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, fez ontem um apelo para o Exército de Israel parar de atacar o Líbano e disse em comunicado dirigido ao mundo, em em especial aos EUA, que “se a opção da paz fracassar por causa da arrogância israelense, não haverá opção além de uma guerra e só Deus sabe o que a região pode testemunhar em um conflito que não poupará ninguém”.

“É preciso dizer que a paciência não pode durar para sempre. E se a brutalidade militar israelense continuar a matar e a destruir, ninguém pode prever o que pode acontecer’, disse o comunicado do rei, que prometeu US$ 1,5 bilhão em ajuda.

Katyushas

Apesar da superioridade militar israelense, o Hizbolah mantém o poder de fogo e disparou ontem cerca de 90 foguetes contra Israel. Um terço da economia do país está parada e cerca de 1 milhão de pessoas passam o dia em abrigos antibomba.

Dezesseis Katyushas caíram ontem na cidade de Haifa. Um homem de 78 anos sofreu um ataque cardíaco enquanto corria para o abrigo subterrâneo e morreu. A aldeia de Mrar, onde vivem cristãos, muçulmanos e druzos, também foi atingida. Um deles entrou em uma casa e matou uma menina de 16 anos.