10 de julho de 2026
Polícia

Análise de dados criminais direciona o patrulhamento

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Confirmando a estatística da Polícia Civil, que na semana divulgou que a criminalidade em Bauru em 2006 está em queda, a Polícia Militar também mostrou índices positivos nesse primeiro semestre. De acordo com o coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), major Wellington Venezian, a otimização dos dados e o investimento em tecnologia, estão direcionando os esforços da PM, contribuindo para a queda principalmente de roubos e furtos em Bauru.

Desde abril do ano passado, a Polícia Militar de Bauru trabalha com o Sistema de Planejamento Operacional (Planop). Os dados dos crimes, como local, horário e forma de atuação do infrator, são registrados e depois analisados. Com base nessas informações, a PM direciona o patrulhamento. “O primeiro passo é você conhecer o crime. A PM se preocupa na análise e no diagnóstico desses índices”, observa Venezian.

Segundo o major, todos os meses o comando do Batalhão se reúne com os responsáveis pelas três companhias da PM na cidade para avaliar os índices de ocorrência. “Depois é desenvolvido um plano de ação com base nos dados. Ele (comandante da PM) sabe o horário, local e modus operandi da infração e traça um estratégia de ação”, explica o coordenador. A partir daí, é traçado um mapa do patrulhamento das viaturas da companhia para prevenir os crimes e prender os infratores.

O sistema está em funcionamento desde abril de 2005 e os resultados são positivos. “A evolução está excepcional, o que indica que o crime está caindo pela eficiência da PM e também da Polícia Civil na apuração, investigação e nas prisões. E não somente pela incidência da ação de crime organizado”, ressalta Venezian. A participação da população na queda do índice é destacada pelo major. “Boa parte dos flagrantes da PM veio de denúncias feitas pela comunidade”, observa.

Um exemplo da eficiência do sistema é o baixo número de roubos e furtos de veículos. “Somos os melhores índices do Estado. Somos considerados ‘benchmarking’ em São Paulo”, aponta, em referência ao termo de excelência empregado na gestão de qualidade institucional. De acordo com a estatística da Secretaria da Segurança Pública, foram registados cerca de 45 furtos de veículos por mês. “Se considerarmos a frota da cidade, esse número é muito baixo”. Enquanto em Bauru, foram furtados 45 e roubados três, em janeiro, em Piracicaba foram 153 furtos e 42 roubos no mesmo mês.

O capitão Válter Luís Sales, comandante da 4ª Companhia, destaca o planejamento de patrulha. “Em maio, verificamos que o número de furtos em veículos na região Sudeste estava alto. Intensificamos o patrulhamento e, em junho, caiu para oito casos. No Jardim Carolina, o bairro com maior incidência, tivemos apenas um furto de carro”, conta.

Concentração

Sobre as áreas de incidência das ocorrências, Venezian informa que na região centro-sul, concentra de roubos e furtos de veículos devido ao fluxo de motoristas ser maior que em outros bairro. Já brigas e desinteligências acontecem nos bairros mais afastados, que concentram o maior número de residências. “O que não existe em Bauru é uma região que concentre a criminalidade. Os infratores mudam suas áreas de atuação, conforme o cerco da polícia. A PM age e ele muda. É a briga de gato e rato”, observa.