08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Escolas e professores com desvio de função


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Reportagem em grande destaque sob o título “SP fica entre as piores no ranking do ensino”foi publicada num jornal paulistano. A 4ª série da rede de ensino da Prefeitura de São Paulo está entre as sete piores do país, quando comparada com a das demais capitais do Brasil. Segundo a reportagem, o desempenho foi avaliado no fim de 2005 pela Prova Brasil, realizada pelo Ministério da Educação, e mostra o município em 21º lugar entre 26 capitais (Brasília não incluída) em português e em 20º em matemática.

Informa o noticiário que o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, diz não ter se surpreendido com os resultados. “Esperava por este desempenho porque já tínhamos detectado problemas na rede. Ele é fruto de anos de gestão que confundia educação com ação social”, afirma. Ressalta ainda o secretário: “As escolas se tornaram pontos de distribuição de projetos sociais que vão desde uniformes até renda mínima e acabaram sobrecarregadas. O corpo docente deixou de ter como única obrigação o desenvolvimento do programa pedagógico, que deve ser o foco principal”.

Essa declaração do secretário municipal da Educação de São Paulo, sobre o péssimo desempenho do aprendizado dos alunos das escolas municipais, mostra bem o descaso com a educação básica e com os professores como profissionais do ensino. O próprio secretário municipal da Educação reconhece e confessa o desvio de função da escola e do trabalho docente do professor. Infelizmente, tal fato não é novidade.

Por várias vezes tenho escrito criticando o desvio de função das escolas públicas e da atividade docente do professor. Neste caso, é o próprio secretário da Educação que reconhece e critica tal absurdo.

O colunista da Folha de São Paulo ilustre jornalista Gilberto Dimenstein, no caderno Cotidiano (26/02/06,. pág. 06), informou com elogios uma experiência brasileira premiada pela ONU. Afirmava o jornalista que em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, criou-se a figura do “Professor Visitador”. É o professor que vai à casa da família de seus alunos e ganha um acréscimo no salário. Conclui o colunista: “Mais uma vez, apenas um toque de visibilidade para gerar a sensação de pertencimento”. As famílias, sentindo-se valorizadas com a visita, passaram a ajudar a escola, refletindo na atitude e no aprendizado dos alunos, afirmava Dimenstein.

Quando escrevi criticando essa figura do “Professor Visitador” eu dizia tratar-se de desvio de função da atividade docente.

O trabalho do professor não se limita somente em dar aulas. Tem que se considerar a preparação das aulas, formulação das questões para as provas e a sua correção acarreta sobrecarga no exercício da docência. Como ainda o professor ter a incumbência de visitar à família de seus alunos? Esta atividade é atividade própria do Assistente Social, com formação específica em nível superior, com registro no Conselho Regional do Serviço de Assistência Social.

O correto e o que é preciso, é ser criado em todas as escolas públicas de educação básica o Serviço Social Escolar e o serviço de Saúde Escolar, com os respectivos assistentes social e o visitador sanitário. Cada um desempenhando a função para a qual foi habilitado profissionalmente.

As escolas públicas na sociedade atual, não se bastam mais com apenas sala de diretoria e salas de aula. É preciso que funcione em tempo integral, bem aparelhadas com: biblioteca, sala de leitura, sala de informática, sala de enfermagem para os primeiros socorros, gabinete dentário, sala para acompanhamento de alunos lentos ou com dificuldade de aprendizado, agente de vigilância, etc.

Comporta lembrar a afirmação do saudoso e um dos maiores pedagogos brasileiro, Anísio Teixeira, no livro “Educação não é privilégio (1957). “Não desmerecemos nenhum dos esforços para a educação anterior à primária, mas, reivindicamos a prioridade número um para a escola de que dependem todas as escolas - a escola primária”. Hoje substituo a escola primária, para a educação básica: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado