A cidade toda ficou agitada com a notícia do concurso de pesca que ia se realizar no rio Paranazão. Os pescadores ficaram ouriçados com o evento, partindo muita gente com destino a Presidente Epitácio, onde ia acontecer o concurso.
Como não deixaria de ser, para lá se foi também o Zé Birruguinha. Esse não podia faltar, pois é tido como um dos maiores pirangueiros de Bauru e região. O concurso era dividido em duas categorias: maior peixe e maior quantidade. O Zé achou por bem participar da segunda opção, maior quantidade. Pegou todo o material para a pesca do lambari; vara, anzol, linha, macarrãozinho, etc, e partiu para a disputa.
Pegou um remansinho legal, jogou um punhado de quirera de milho na água, bem próximo de um capinzeiro e quando a lambarizada começou a saltar naquele pozinho que flutuava sobre a água, começou a puxar um atrás do outro em um sincronismo fantástico. Foi quando em dado momento, uma puxada muito forte e o Zé fisgou. Era um pacu muito grande. A linha zero vinte e anzolzinho de lambari não podiam agüentar. Aí começou a luta.
O peixe afundava com tudo e o Zé tenteava, chegando até enfiar a vara toda na água. Quando o pacu afrouxava, o pirangueiro o trazia de volta. Isso se repetiu por mais de vinte vezes, até o monstro cansar. Nessa altura dos acontecimentos, a torcida era grande, com muitas pessoas assistindo a peleja do campeão contra o peixe. Aí foi quando alguém começou a gritar: É... campeão; é... campeão, sendo em seguida esses gritos repetidos por todos os presentes.
Quando o peixe pranchou, o Zé passou o puçá por baixo dele, trazendo-o para o barranco. Nesse momento a platéia era maior ainda e ninguém podia acreditar no que estava vendo, pois com uma varinha daqueles, linha zero vinte e anzolzinho de lambari, o Birruguinha pudesse pegar aquele enorme pacu, que pesava uns 7 quilos. Só depois que o peixe já estava fora da água é que o campeão foi ver que o anzolzinho havia penetrado exatamente em um dente cariado do pacu.
Segundo o Birriguinha, quando o peixe puxava para baixo e ele para cima, o pacu não suportava a dor no dente e subia novamente à flor d’água. Conclusão: o nosso campeão faturou o primeiro lugar na modalidade em que estava inscrito, maior quantidade, trazendo um enorme troféu e por ter pegado o maior peixe do evento, apesar de não estar habilitado na categoria, ganhou como prêmio uma viagem com duração de oito dias para o Pantanal mato-grossense com direito a chalana-hotel e tudo mais, acompanhado de sua família.
O campeão informou ainda que essa façanha foi registrada pela equipe da Rede Globo, para quem deu muitas entrevistas e fotografias para a revista Globo Ecologia. É mole essa boca?
Orlando Álvares de Araújo é pescador, contador de histórias e autor do livro “Coisas de Caserna e Estórias do Zé Birruguinha”