09 de julho de 2026
Rural

Brasil é 3º maior na criação de cavalo

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil tem hoje o maior rebanho de gado bovino do mundo e está próximo de se tornar também o maior criador de eqüinos. Os pastos brasileiros confinam atualmente 5,9 milhões de cabeças, sendo superados apenas pela China e México. Mais da metade do rebanho do País, isto é, 55% dos animais, são da raça quarto de milha. A maior parte da demanda se concentra entre as regiões Sudeste, Nordeste e Sul. Os números foram divulgados pela Comissão Nacional da Agricultura (CNA) e Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM).

Criadores ligados a essas entidades interpretam as estatísticas como um considerável crescimento deste segmento pecuário no País. Na última década, segundo dados do diretor de marketing da ABQM, Abdalla Abib, a eqüinocultura cresceu 15% ao ano no Brasil. A valorização dos cavalos, o volume de eventos realizados e a estabilidade econômica que o País vem mantendo são algumas das atribuições de especialistas da área para explicar a ascensão do rebanho.

Não é preciso ir muito longe para ter idéia do desenvolvimento da eqüinocultura no Brasil. Na última semana, Bauru sediou o 29.º Campeonato Nacional da Raça Quarto de Milha e a 27.ª edição do Potro do Futuro. O evento trouxe ao Recinto Mello Moraes quase 2 mil animais que valiam ouro. Para não parecer exagero, alguns cavalos chegam a custar a R$ 3 milhões. Segundo a organização do evento, só com os leilões o faturamento atingiu R$ 5,2 milhões.

Para Abib, o volume de eqüinos no Brasil tem ganhado cada vez mais proporção por conta dos cavalos quarto de milha. Segundo ele, a funcionalidade da raça favorece sua expansão. “Esse cavalo se adapta a qualquer tipo de região e consegue competir em todas as modalidades de provas esportivas”, acrescenta. Ele ainda afirma que, além dessas peculiaridades características da raça, a aquisição desses animais como investimento em lazer tem sido muito comum e, conseqüentemente, mais um fator para o aumento da demanda no País.

Raças importadas

O leiloeiro Nilson Genovesi, que também esteve em Bauru no campeonato da semana passada, ressalta que a criação de cavalos no Brasil despertou ainda na década de 80 com o crescimento das raças importadas, como quarto de milha, árabe e o puro sangue inglês. Os grandes investimentos, lembra ele, ocorreram em 1986, já que havia poucas opções de aplicação de dinheiro no País por conta do congelamento de preços. “Isso ajudou demais o aprimoramento dos plantéis com raças nacionais, como a mangalarga”, completa.

Com a queda do Plano Cruzado, ainda na década de 80, o leiloeiro ressalta que muita gente deixou de criar cavalos no País. A prática só foi retomada em meados da década de 90, quando os incentivos à criação se tornaram mais fáceis porque os pecuaristas já entendiam um pouco da criação e dispunham de mão-de-obra e instalações qualificadas.

“Mudou-se o foco. A idéia de que a criação de cavalos era um investimento, uma moeda, foi abortada. Passou-se a entender que, como qualquer produto, é preciso ter o produtor e o consumidor”, destaca o leiloeiro.

Para Genovesi, essa mudança também incentivou a utilização dos cavalos para a prática esportiva. “Tudo isso criou um nicho bom de comercialização, gerou um incremento bom no mercado”, afirma.

Erico Braga, presidente da Associação Rural do Centro-Oeste Paulista (Arco) e um dos colaboradores do Campeonato Quarto de Milha realizado em Bauru, defende que a expansão da raça está ligada ao desempenho da economia do País. “Quando sobra dinheiro para o pecuarista, ele compra cavalo, quando falta dinheiro, a primeira coisa que ele faz é vender o animal e parar de competir. É um processo que está muito ligado à macroeconomia”, considera.

Para ele, a eqüinocultura é representativa na economia do País, principalmente na geração de mão-de-obra. “Quem visitou o Recinto Mello Moraes durante o campeonato pôde conferir todos os benefícios que a criação de cavalos oferece. A eqüinocultura é uma complementação da pecuária”, acrescenta. Atualmente, segundo a ABQM, a raça quarto de milha representa 52% do plantel mundial.