Tel Aviv - O governo de Israel aprovou ontem a convocação de 15 mil a 30 mil reservistas para o que chamou de ação “prolongada e sem limite de tempo” contra o Hizbollah no Líbano, apesar de afirmar que não pretende uma invasão em grande escala.
Aviões e artilharia israelenses realizaram novos ataques contra o grupo terrorista Hizbollah no sul do Líbano ontem, mesmo dia em que o governo libanês anunciou que os mortos na ação militar podem passar de 600.
Segundo o ministro libanês da Saúde, Mohammad Khalifeh, hospitais receberam 401 corpos de pessoas mortas no conflito e entre 150 a 200 corpos ainda não foram recolhidos. Entre as vítimas - em sua maioria civis - estão sete brasileiros e quatro observadores da ONU.
O conflito, iniciado depois que o grupo xiita seqüestrou dois soldados israelenses, entrou no 16.º dia. Autoridades israelenses fizeram ontem declarações indicando que o país entende que não há pressão internacional pelo fim dos ataques, apesar das declarações contrárias da União Européia (UE).
A manifestação mais explícita foi do ministro da Justiça, Haim Ramon: “Recebemos permissão da conferência de Roma, na verdade do mundo, parte cerrando os dentes e parte dando sua bênção, para continuar esta operação, esta guerra, até que a presença do Hizbollah seja apagada do Líbano e que o grupo seja desarmado.”
Ele se referia à reunião de 14 países realizada anteontem na Capital italiana, na qual a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, vetou a proposta de um cessar-fogo imediato, defendida pelo Líbano e por parte dos países da UE.
A declaração final do encontro foi um compromisso vago de “trabalhar imediatamente na direção de um cessar-fogo”. Do encontro não participaram Israel, Irã e Síria, diretamente envolvidos no atual conflito.
Autoridades européias negaram ter dado luz verde para a ofensiva. Erkki Tuomioja, ministro do Exterior da Finlândia, que preside atualmente a UE, disse temer que a interpretação de Israel é “totalmente errada”. “Toda a idéia da conferência de Roma foi ajudar a acabar rapidamente com a guerra e com as hostilidades”, disse Tuomioja, que se encontrou com o premiê de Israel, Ehud Olmert.
Olmert afirma que Israel prefere, ao cessar-fogo imediato, o envio de forças de intervenção da Otan ao sul do Líbano para impedir ataques do Hizbollah. Mas nenhum país da aliança militar ocidental comprometeu-se a enviar soldados. “Estamos recrutando tropas de reserva para que, se houver necessidade, possamos exercer a força necessária a fim de proteger o Estado de Israel e atingir os objetivos da operação”, disse o ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, em entrevista com Dan Halutz, chefe do Estado Maior israelense.
O líder do grupo xiita Hizbollah, Hassan Nasrallah, o homem mais procurado por Israel, está em Damasco para se reunir com dirigentes sírios e iranianos. A informação, divulgada por duas agência de notícias iranianas e um jornal do Kuwait, reforça a tese de que o grupo mantém uma aliança com os dois países e recebe apoio político e material para resistir à ofensiva israelense.
De acordo com o jornal “Al Siyassah”, a reunião teve o objetivo de discutir formas de manter o suprimento de armas iranianas ao Hizbollah via fronteira síria. O Exército israelense acusa Damasco de fornecer armas ao grupo xiita. Por isso, bombardeia caminhões nas estradas que ligam Síria e Líbano.
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Ameaça da Al-Qaeda
Beirute - O egípcio Ayman al Zawahiri - considerado o “braço-direito” do líder da rede terrorista Al-Qaeda, Ossama Bin Laden - afirmou em um vídeo divulgado ontem que o grupo “não irá se calar” diante dos ataques de Israel em Gaza e no Líbano. Foi a primeira reação da Al-Qaeda às ofensivas que Israel iniciou os ataques, em 25 de junho e 12 de julho, em conseqüência dos seqüestros de soldados israelenses.
Em gravação divulgada na rede de TV árabe Al Jazira, Al Zawahiri que o Hizbollah e os grupos terroristas palestinos que confrontam Israel em Gaza não serão detidos com cessar-fogo. “A guerra com Israel não depende de cessar-fogo (...) É uma jihad pela honra de deus e irá durar enquanto nossa religião prevalecer”, afirmou, na décima mensagem divulgada neste ano.
Al Zawahiri afirmou ainda que os foguetes e mísseis que atingem Gaza e o Líbano “não são apenas armas de Israel, mas são financiadas pelos países da coalizão cruzada” e que, por isso, “todos os países que participarem (dos ataques) pagarão seu preço”. “Não podemos apenas assistir a estas bombas e mísseis matando nossos irmãos em Gaza e no Líbano e ficar parados, humilhados”, afirmou Al Zawahiri.
Segundo ele, os muçulmanos devem “se unir para atacar os cruzados e sionistas” e “apoiar a jihad em qualquer lugar”.
Uma nova mensagem de vídeo ou de áudio de Bin Laden a respeito de Gaza e do Líbano deve ser divulgada nos próximos dias, segundo o IntelCenter, grupo independente de contraterrorismo dos EUA.