Algumas pessoas me questionaram a respeito do artigo da semana passada, intitulado qualidade de vida, onde discuti um pouco a respeito do homem buscar dentro de si as soluções para os seus problemas. A pergunta básica das pessoas foi: “mas, concretamente, qual é o caminho?”
Além de alguns caminhos já colocados naquele artigo, publicado no Jornal da Cidade do dia 20 de julho, uma luz no fim do túnel é, evidentemente, buscar a felicidade. No entanto, outro questionamento surgirá: onde está a felicidade? E a resposta virá na ponta da língua: dentro de nós mesmos. Mas será que não voltamos na estaca zero, caro leitor?
Eu digo que não. Vejamos: existem alguns sentimentos dentro do homem que, geneticamente; por força da história natural; pela sua religiosidade; pela cultura de cada povo... ou seja, por quaisquer motivos, tornam-se barreiras quase que intransponíveis para se chegar a essa tal felicidade.
Egoísmo; indiferença; insensibilidade; individualismo; e egocentrismo. Se quiser, querida leitora, posso dar mais alguns sinônimos dessa apatia humana chamada “falta de compaixão”. Isso mesmo! O homem precisa olhar para seus semelhantes de maneira mais compassiva, colocando-se no lugar dos outros.
Isto vale para pais e filhos; marido e mulher; oponentes religiosos; inimigos políticos; torcedores de times contrários... enfim, vale para quando você está andando na rua e vê as pessoas ao seu redor. Olhar o mundo de maneira compassiva não é ter pena das pessoas, mas colocar-se no lugar delas.
Trabalhoso? Claro. Se fosse fácil não precisaríamos ter escolas, igrejas, partidos políticos; psicanálise; medicina ayurvédica, yoga, meditação e outras instituições consagradas. Porém, não é tão difícil assim. Alguns detalhes podem fazer a diferença.
Fazer a diferença... eis outra chave do caminho ao encontro da felicidade. Fazer a diferença é não ser igual; é assistir menos televisão; abrir mais o coração; ser mais gentil com as pessoas; aventurar-se ao brincar com uma criança; ter tempo para o ócio; chamar os amigos em casa; entrar naquele curso de violão ou teatro que você tanto queria; observar mais as coisas ao seu redor; estar presente de corpo e alma em tudo o que você faz.
Seja vulnerável, não resista às mudanças. Talvez a felicidade esteja exatamente aí e não naquele velho padrão de vida egoísta, insensível, individualista, egocêntrico e cheio de indiferença que tanto aprendemos neste mundo capitalista, onde a guerra acabou virando a saída para a paz... pelo menos na cabeça dos “donos do mundo”.
O autor, Reginaldo Tech, é professor de literatura. Leia mais textos em www.blogdotech.zip.net