A família de Juraci dos Santos, 30 anos, morto anteontem em Bauru em confronto com policiais, através do advogado Ricardo Soubhie, contesta a versão apresentada pela Polícia Militar (PM) de resistência seguida de morte. Para a família, a morte dele foi uma execução programada desde o assalto ocorrido no último dia 6 numa empresa de painéis da cidade. Segundo a família, a polícia considerava Santos suspeito de ser o assaltante e passou a ameaçá-lo.
As ameaças, de acordo com o advogado, obrigaram Santos a procurar o 4º Batalhão da Polícia Militar no último dia 10 e registrar uma queixa. O caso, segundo o tenente Elvis Alessandro Botega, foi encaminhado para a Força Tática e está em fase de apuração.
De acordo com a PM, Santos, que tem uma extensa ficha criminal, reagiu à abordagem. Ao tentar fugir, ele teria disparado quatro vezes contra o policial, que revidou. Santos foi atingido por um tiro no addômen e morreu no pronto-socorro. O policial foi ferido no braço e passa bem.
Ontem, Soubhie tirou uma cópia do termo de declarações feito por Santos no dia 10 e anexou ao inquérito que apura o assalto. “A família alega que ele não estava armado e que a morte é fruto de uma perseguição policial”, ressalta o advogado.
Comedido, Soubhie diz que aguarda o resultado do exame residuográfico para provar que Santos não estava portando arma e não atirou contra o policial. “Caso fique provado que Santos estava desarmado, a família possivelmente peça uma indenização ao Estado”, comenta.
No termo de declarações feito por Santos no dia 10, ele disse que um dia depois do assalto foi procurado na borracharia onde trabalhava com seu pai e irmão por policiais militares que queriam a arma supostamente usada por ele no assalto. Na oportunidade, ele teria sido agredido pelos policiais.
Dentre as ameaças que ele afirmou ter sofrido nos dias 10 e 9, uma delas refere-se à arma. Um dos policiais, segundo o resgistrado por Santos, teria prometido jogar uma arma fria em sua mão e alegar que ele havia reagido caso não entregasse a arma do assalto que feriu um policial aposentado.