08 de julho de 2026
Política

Internet é trunfo para as eleições

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Faltando dois meses para as eleições, os candidatos ainda tentam se adaptar às novas regras de campanha, impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), através da lei 11.300, chamada de minirreforma eleitoral. A lei proibiu a propaganda através de outdoors, faixas, cartazes e banners em postes, pontes e viadutos, além da distribuição de brindes e realização de showmícios. Para os postulantes a deputado estadual e federal, a situação ainda é pior, devido ao pouco tempo que vão dispor no horário eleitoral gratuito em rádio e TV.

No entanto, há um filão pouco explorado pelos partidos políticos e candidatos: a Internet. Segundo o publicitário e autor do livro “E-leição”, Alessandro Bender, há mais de 20 milhões de internautas no País, que não estão sendo levados em consideração pelos políticos. “Apesar da população estar cada vez mais conectada, a Internet ainda é um espaço pouco explorado para se fazer política no Brasil. Os candidatos podem aproveitar o universo virtual para criar novos modelos de campanhas e de gestão de seus mandatos”, explica.

Segundo o publicitário, a Internet é rica em ações políticas, mas carece de ações partidárias. Ele salientou que há várias entidades, Organizações Não Governamentais (ONGs), entre outros, que aproveitam a rede mundial de computadores para se comunicar e discutir política. “No Yahoo há 900 grupos de discussão política. No UOL existem 57 mil blogs de política, mas os políticos não aproveitam esse espaço”, salientou.

Para Bender, essa falta de interesse se deve ao fato de que a classe política brasileira está mais acostumada a falar, do que ouvir. “A postura dos políticos não é de debater idéias com seus eleitores, mas sim de discursar como se estivessem em comícios, por isso ainda há um certo temor por parte deles”, declarou.

O publicitário ressalta também que não basta apenas ter uma página na Internet para fazer campanha. Há outros elementos que possibilitam mais visibilidade do candidato e a possibilidade de interagir com milhões de eleitores. “A maioria acredita que basta fazer um site e já estará conectado”, disse

De acordo com Bender, a utilização da Internet não deve se resumir à publicidade, mas pode ser usada para gerenciamento da campanha eleitoral. “Há vários elementos que podem ser feitos através da rede, como a utilização de newsletter (espécie de boletim eletrônico enviado por e-mail) e programas para conversar em tempo real com eleitores e colaboradores, como o messenger e o skipe”, frisou.

Renovação

Em tempos de Orkut (site de relacionamentos na Internet), os políticos ainda são conservadores e não estão “plugados” com o mundo que os cerca. Para o publicitário Alessandro Bender, esta é a explicação para que a Internet seja tão pouco explorada por eles. “Falta uma visão diferente. A política brasileira carece de renovação”, afirmou.

Bender faz a conta: são 20 milhões de internautas. Se levar em consideração os contatos que cada um desses internautas tem fora da rede, o número de pessoas que direta ou indiretamente tem acesso a Internet pode chegar a 100 milhões em todo o Brasil. Para um político em campanha, um filão excelente para ser explorado. “Mas tem uma casta política que não está disposta a renovar e isso passa de pai para filho. Se houver entre os políticos gente disposta a investir na rede, o conservadorismo pode cair e a Internet será um ambiente político”, ressaltou.