O negro João Luiz dos Santos nasceu por volta do ano de 1860, bem antes da abolição dos escravos, e morreu com mais de cem anos de idade no asilo de Avaí. Pelo que ele mesmo contava, conheceu o sofrimento das senzalas, do tronco e o duro castigo dos coronéis de terra do período pré-abolicionista.
Eu o conheci em 1950, quando ele trabalhava pelos sítios e fazendas da região de Avaí, em troca de pouco dinheiro ou até em troca de roupa e comida.
João Luiz adorava pescar, cantar, rezar, politicar e, apesar de analfabeto, fazia versos com música e tudo. Amava o presidente Getúlio Vargas, mas não gostava muito do prefeito Olmes Berriel.
Quando Getúlio Vargas morreu, ele chorava cantando assim:
- Hô Jesuis, Santa Maria, “oooora” pro nóbis.
Quando estava de mal com o prefeito Berriel, ele cantava assim:
- “Eu falei pro Berrié,
O prefeito do lugá,
Essi inguiço de bagunça
Nunca mais vai acabá”.
Nos finais de semana ele sempre tomava um porre de pinga, dormia na cadeia, mas nas segundas-feiras, de novo, pegava bem cedo no eito dos cafezais.
Contada por Eurico de Oliveira, morador de Avaí