10 de julho de 2026
Política

Para Herrmann, disputa vem para desviar foco dos EUA no Iraque

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado federal e presidente da Liga Parlamentar Árabe, que integra membros de 18 países, João Herrmann Neto (PDT), considera que o conflito restabelecido entre Israel e Líbano é mais uma intervenção perversa americana para desviar o foco dos problemas enfrentados pelo governo dos EUA no Iraque.

Em entrevista ontem ao JC, Herrmann criticou a postura do governo americano, de George Busch, e avaliou que o impasse na região árabe também está servindo para posicionar a secretária de Estado Americano, Condoleezza Rice, como agente internacional de peso.

“Esse conflito é para desviar o foco do Iraque e vem para colocar definitivamente a Condoleezza Rice como candidata do Partido Republicano. É um pouco de pomba e salto alto. Ela entra para tentar se projetar como uma forte agente internacional. É o que resta ao presidente americano, atuar na política externa, porque na interna o Congresso dos EUA é muito forte”, conta Herrmann.

Na avaliação do deputado, está claro a manobra de dispersão em nome da tentativa de que o mundo deixa de continuar olhando para as mazelas da política americana no fracasso da invasão em território iraquiano. “É um dos maiores atos de dispersão que eu tenho visto. Porque o mundo estava focado na questão do Iraque. A idéia dos Estados Unidos afundando no Iraque cada dia era maior e não somente do prestígio do presidente Busch, um facínora, um fascista, que o mundo democrático assim classificou, com sua figura cada dia caindo mais e o conflito árabe com as primeiras mostras dos corpos dos americanos sendo enrolados na bandeira”.

O presidente da Liga Parlamentar lamenta as intenções do conflito. “Mas o Iraque estava se afundando por completo. O renascentismo que se tentou fazer era buscar que o Irã fosse o grande setor contributivo, por guerra nuclear, bomba atômica, perigo para a humanidade. A comunidade internacional tentou até comprar esta idéia e acabaram entendendo que não dava para transformar o Irã num fascismo, em uma nova Hiroshima ou Nagasaki”, completa.

Herrmann lembra que o Líbano estava se reerguendo política e economicamente. “Não deu o que queriam com o Iraque e restou a Israel, que é um agente montado e financiado pelos EUA, cumprir este desafio. O Hizbollah está lá há quantos anos, o Hamas está lá há quantos anos. Quando o Líbano começou a reconstruir sua imagem, seu mundo democrático, as tropas Sírias saíram de lá, um País com nova força econômica, Beirute estruturada, então olha o desvio que se conseguiu. Então é mais uma manobra pérfida, sórdida, de se retirar a paz mundial que é trazer o conflito mais agudo entre árabes e judeus”.

Ele voltou a comentar a tentativa do presidente dos EUA, George Busch, inclusive de tentar trazer o conflito para a região da tríplice fronteira, em Foz do Iguaçu, onde convive uma enorme colônia árabe, nas proximidades entre Brasil, Paraguai e Argentina. “O que é mais grave é que dentro do governo americano pretende-se internacionalizar o conflito nas tribos de fronteira. O presidente Busch enviou ao Congresso americano, e foi repudiado, para que fosse tratada a tríplice fronteira, ou seja Foz do Iguaçu, como uma área de terrorismo, financiadora do terrorismo internacional. Esta foi a última tentativa perniciosa, brutal, de fazer intentar via tríplice fronteira um conflito árabe que nós brasileiros não queremos de forma alguma dar guarida”, reforça o deputado.

Como em outras intervenções americanas, o parlamentar federal lamenta que a Organização das Nações Unidas (ONU) novamente tenha tido seu papel deixado de lado diante dos EUA. “E mais uma vez os Estados Unidos passam por cima da ONU. A ONU é ONU e eles acham que eles é que guardam o mundo. É de novo um atentado contra o povo árabe, quer seja palestino, quer seja libanês”, finaliza.