10 de julho de 2026
Nacional

Heloísa Helena agradece qualquer ‘intenção de voto’ em seu nome

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Recife - Crítica feroz das alianças políticas oportunistas, a candidata do PSOL à Presidência, Heloísa Helena, disse ontem, em Recife, que agradecia “humildemente” qualquer intenção de voto nela, ao comentar a adesão do ex-governador do Rio Anthony Garotinho à sua candidatura.

Já os líderes do PSOL rejeitaram a possibilidade de dividir palanque com Garotinho. “Eu soube disso pela imprensa e, humildemente, tenho a obrigação de agradecer qualquer intenção de voto”, afirmou. Mas emendou em seguida: “Qualquer concessão é zero para mim, sempre foi”.

A senadora disse também que não conhece Garotinho. Afirmou que só o viu pessoalmente uma vez. Ela elogiou, entretanto, dois dos articuladores do programa econômico do PMDB, Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e o cientista político César Benjamim, candidato a vice na sua chapa. “São dois economistas muito sérios do Brasil”, disse.

Fora do palanque Apesar do anúncio de Garotinho, ele não estará no palanque de Heloísa Helena, disseram anteontem líderes do PSOL. “Ele nunca subirá no palanque da senadora”, disse o deputado federal Babá (PA). Para ele, os possíveis votos de Garotinho e de sua mulher, a governadora Rosinha Matheus, não significam um acordo do PSOL com o grupo político que comanda o Rio desde 1999.

“De forma alguma a declaração de voto permitirá a Garotinho subir no nosso palanque. Encaro isso como um voto, não um apoio. Declarar voto qualquer um pode declarar”, disse.

Fundadora do partido como Babá, a deputada federal Luciana Genro (RS) disse que não há chance de o PSOL e a campanha Heloísa Helena firmarem um acordo político com o grupo de Garotinho. “Qualquer cidadão tem o direito de manifestar seu apoio em Heloísa Helena. Isso para nós não tem nenhuma contrapartida. Mas ninguém é tolo de recusar voto.” A deputada disse ainda considerar difícil Garotinho subir em palanques do PSOL, porque isso exigiria “um acordo político mais aprofundado”.

Ex-deputado federal pelo PT, o jornalista Milton Temer é o candidato do PSOL à sucessão de Rosinha. Nos atos de campanha, ataca com dureza o casal Garotinho. O candidato apoiado por eles, o senador Sérgio Cabral Filho (PMDB), lidera as pesquisas de intenção de voto. Temer disse ontem que “todo voto é bem-vindo”. “Mas só há acordo político com quem temos identidade e afinidade ideológica. O que não é o caso. E nós continuaremos a criticar o papel predatório da política do governo Rosinha.”

Em Recife Heloísa Helena chegou na madrugada de ontem a Recife, em um vôo comercial. De manhã, repetiu um ato de Lula na campanha eleitoral passada: visitou uma favela de palafitas. Na época, Lula escolheu Brasília Teimosa, hoje urbanizada e palco, há uma semana, do primeiro ato de campanha do petista à reeleição. A senadora optou pela Ilha de Deus. Diferentemente de Lula, não prometeu tirá-las do local. “Promessa é coisa de político demagogo.”