08 de julho de 2026
Internacional

García assume no Peru e promete austeridade

Por Pedro Dias Leite | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Lima - Diante de nove presidentes sul-americanos, mas sem a menor sombra do venezuelano Hugo Chávez, Alan García tomou posse ontem em Lima como presidente do Peru, 16 anos depois de ter deixado o cargo. O social-democrata García fez um discurso de mais de uma hora em sua volta ao poder, em que admitiu os erros de seu primeiro mandato (1985-90) e disse que aprendeu com eles. O então jovem presidente deixou o Peru na ruína econômica, enfrentando hiperinflação e até falta de alimentos e no auge da violência do Sendero Luminoso.

Ontem, prometeu compromisso com uma política econômica de austeridade fiscal e anunciou cortes nos salários dos funcionários públicos - de diplomatas a congressistas, além do seu próprio, que caiu de 42 mil soles (R$ 27 mil) para 16 mil soles (R$ 10 mil). A polêmica da campanha que levou à sua eleição, a intervenção de Chávez na política peruana, desapareceu.

Quando falou da integração latino-americana, em nenhum momento mencionou o desafeto, com quem trocou insultos na campanha. Chávez apoiou enfaticamente o candidato nacionalista Ollanta Humala, derrotado por García no segundo turno. “A meta do meu governo é trabalhar pela integração latino-americana, por uma união sul-americana e pela consolidação da Comunidade Andina de Nações”, disse García, a uma platéia que incluía os dois presidentes de quem pretende ficar mais próximo, Luiz Inácio Lula da Silva e a chilena Michelle Bachelet.

O clima que reinou na capital peruana foi de feriado. Pessoas se aglomeravam nas calçadas para ver o novo presidente, mas sem grandes concentrações. O único momento quente foi quando García entrou no pátio do Palácio de Governo e partidários, jornalistas e assessores se embolaram para passar pelo portão, numa confusão em que muitos perderam os sapatos e, alguns, a compostura.

Em seu discurso, García disse que os cortes nos salários do setor público vão permitir que seu governo invista mais de US$ 1,5 bilhão na infra-estrutura do país e que contenha o crescimento da dívida. García recebe de seu antecessor, Alejandro Toledo, uma economia nos trilhos, que cresceu quase 7% em 2005 e caminha para algo próximo de 6% em 2006. O novo presidente peruano tem o desafio de traduzir a boa situação econômica numa melhora real da condição de vida do povo de seu país, onde mais da metade vive na pobreza.