10 de julho de 2026
Bairros

Aos 110 anos, Bauru ‘envelhece’ rápido

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Prestes a comemorar 110 anos, Bauru já pode ser considerada uma cidade “velha”, nem tanto por sua idade, relativamente pequena quando comparada a outros lugares (São Paulo, por exemplo, foi fundada em 1554). A “Cidade sem limites” envelhece devido ao aumento proporcional e absoluto da quantidade de pessoas com mais de 60 anos em sua população.

De acordo com dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a cidade contava, em 2005, com 37.416 idosos, o que representava 10,89% de seus 343.450 habitantes. Projeções da entidade para 1 de julho de 2010 (um mês antes de completar 114 anos) apontam que os bairros de Bauru contarão com 44.061 pessoas acima dos 60 anos entre seus moradores.

A faixa etária passará a responder por 11,98% da população da cidade, que será de 367.529, segundo estimativas da fundação. O aumento esperado de 17,76% na quantidade de idosos em Bauru para os próximos quatro anos ajuda a dar uma idéia de como é rápido o envelhecimento da população, tanto aqui como no restante do País.

Dados de um dossiê elaborado por pesquisadores da Universidade do Sagrado Coração (USC) sobre a saúde do idoso em Bauru mostram que o processo é acelerado e recente. Os números são referentes ao período entre 1980 e 2005.

No primeiro ano analisado, quando Bauru comemorou seu 84.º aniversário, foram registrados 186.659 habitantes, dos quais 14.604 tinham 60 anos ou mais. O aumento proporcional registrado entre 1980 e 2005 na população total da cidade foi de 87,8%. Já no valor referente aos idosos, o salto foi superior a 150%.

Há uma razão para tamanha disparidade na forma como ocorre o crescimento da população bauruense. “A base formada por crianças e jovens está encolhendo enquanto a composta por idosos está sendo ampliada”, explica Herman Vos, pesquisador do Data-ITE (ligada à Instituição Toledo de Ensino, que também realiza estudos relacionados ao assunto).

O fenômeno está relacionado à queda nas taxas de natalidade (que faz com que diminua o número de jovens e crianças) e ao crescimento da expectiva de vida da população. “A medicina tem registrado muitos avanços. Hoje em dia, diagnósticos podem ser feitos com maior rapidez, o que aumenta as chances de eficácia dos tratamentos”, afirma Abrão José Cury Jr., presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

A dúvida é saber se Bauru está preparada para lidar com essa nova realidade, em que a população torna-se cada vez mais velha. A área da saúde, por exemplo, ajuda a dar uma medida do impacto desse processo sobre os serviços públicos.

Só em 2005, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 94.496 atendimentos a pessoas com mais de 65 anos. Doenças do aparelho circulatório responderam por 28.856 ocorrências. Os valores são referentes a uma população de pouco mais de 35 mil idosos. Por isso é preciso avaliar se daqui quatro anos, quando o número estiver perto dos 45 mil, a rede pública de saúde estará pronta para comportar toda a demanda.

A dúvida pode ser estendida a demais serviços destinados aos idosos. Grupos de terceira idade, centros de convivência, projetos de universidades e abrigos são serviços que atendem de maneira satisfatória um número ainda reduzido de pessoas e que necessitam, portanto, de uma ampliação urgente.

Aos 110 anos, a população de Bauru já mostra sinais claros de envelhecimento. Se nos próximos aniversários a cidade sentirá ou não o peso dos anos de seus habitantes, é algo que só o tempo e as iniciativas do presente poderão responder.