Bauru envelheceu. As pessoas com mais de 60 anos representam hoje 10,89% dos mais 340 mil habitantes da cidade, segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). E se fosse traçado um mapa do envelhecimento de Bauru, os caminhos teriam de apontar necessariamente para um local: o Centro.
Uma pesquisa realizada pelo Data-ITE (ligado à Instituição Toledo de Ensino), em 2001, tomando por base os dados demográficos do senso de 2000, mostra que o Centro é a parte da cidade que possui maior concentração relativa de idosos. Os pesquisadores trabalharam com a noção de índice de senilidade para determinar as proporções.
O conceito pode ser difícil no nome, mas até que é fácil de ser compreendido. “O índice de senilidade relaciona a quantidade de pessoas com 65 anos existente num local a grupos de 100 jovens de até 15 anos”, explica Herman Vos, um dos autores da pesquisa.
Bauru, por exemplo, contava com 20 idosos para cada grupo de 100 jovens em 2000, época em que a pesquisa foi realizada. Segundo o pesquisador, o tempo passado desde a realização do estudo não tira a validade dos resultados. “No máximo, o que pode ter ocorrido é um pequeno aumento no índice”, acredita.
No Centro da cidade, para cada grupo de 100 jovens, podiam ser encontrados 168 jovens. Já no Núcleo Beija-Flor, o índice caía para 19 e nas favelas era ainda menor: apenas cinco idosos para cada grupo de 100 jovens. Os motivos para tamanha disparidade são vários. Um deles é tempo de ocupação de cada região estudada.
“O Centro é uma região mais antiga da cidade, portanto o número de idosos que ali reside é maior. Por outro lado, os núcleos habitacionais e as favelas são regiões mais recentes e, conseqüentemente, têm uma quantidade relativamente menor de pessoas de mais idade”, explica Vos.
Outros fatores também influem para a diferença entre regiões. “Nas favelas e núcleos habitacionais, a taxa de natalidade é grande, o que faz com a proporção de jovens seja bastante superior à de idosos”, explica o pesquisador.
O fato de uma região possuir um alto índice de senilidade pode não significar uma presença absoluta maior de idosos. “Como o número refere-se a valores relativos, pode ocorrer de uma área com índice menor possuir uma quantidade maior de habitantes com mais de 65 anos”, reconhece Vos.
Por outro lado, ele afirma que este não é o caso do Centro de Bauru. “Ali a presença de idosos é grande tanto em termos relativos quanto absolutos”, garante.
Apesar de concentrar a maior parte da população idosa de Bauru, a região não conta com grupos de terceira idade ou centros convivência mantidos pela Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes).
“É que o Centro é uma área que possui diversas opções de atividades para essa faixa etária”, afirma a secretária Egli Muniz, responsável pela Sebes. “Além disso, os projetos são de assistência social e procuram atender áreas mais vulneráveis da cidade, como a zona noroeste, por exemplo”, completa.
Em muitos casos, os próprios idosos acabam criando maneiras de ocupar seu tempo. Para vários deles, ir à praça Rui Barbosa e bater papo com amigos já serve como alternativa à falta de atividades.
Para alguns, porém, as conversas diárias na praça não são mero lazer, mas sim compromisso sério. Alfredo Noris tem 81 anos e há 30 é aposentado. Todos os dias ele vai à praça Rui Barbosa encontrar os amigos. “Para eu não estar aqui, só se tiver de ir ao médico”, afirma.