09 de julho de 2026
Regional

Kit permite usar óleo de cozinha em veículos

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu – Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Tecnologia de Botucatu (Fatec) e da Fundação de Pesquisa e Estudos Agrícolas e Florestais (Fepaf), desenvolveram um kit que permite fazer um motor a diesel funcionar movido a óleo vegetal.

Os professores Luís Fernando Nicolosi Bravim, Edvaldo Velini, Celso Fernandes e Roberto Abdala participam da pesquisa que estuda, há sete anos, combustíveis alternativos para motores. Um dos resultados é o kit, em fase de registro de patente, que adota óleo de cozinha, mesmo os já utilizados em frituras.

Segundo o professor Bravim, o kit transforma o motor numa espécie de “totalflex”, que aceita tanto o diesel comum quanto o biodiesel e o óleo vegetal em qualquer proporção. De acordo com o professor, os motores a diesel atuais podem até funcionar com o óleo vegetal, mas acabam fundindo com o tempo.

O diferencial do kit é que, alem de ter a flexibilidade de poder escolher entre os três tipo de combustível (diesel, biodiesel e óleo vegetal), ele também elimina o perigo de fundir o motor. “O biodiesel é uma mistura de óleo vegetal, metanol ou etanol e a soda cáustica. Esta mistura é feita por um processo que chama transisterificação (retirada da glicerina do óleo vegetal). A vantagem de usar o óleo vegetal é que a gente elimina este processo”, revela.

Como se não bastasse isso, as outras vantagens de usar o óleo vegetal no lugar do diesel, segundo Bravim, é que ele é menos poluente e mais barato. “A primeira e grande vantagem é diminuir a poluição ambiental (o óleo vegetal não tem enxofre). A segunda vantagem é financeira, porque o óleo vegetal é mais barato do que o diesel”, explica.

Ele ressalta que o óleo utilizado em frituras pode ser adotado para abastecer o veículo, resultando na não-poluição do solo e mananciais, locais onde normalmente eles são jogados após o uso.

Bravim acredita que o kit será uma ótima alternativa para as prefeituras, que poderão reduzir os custos com combustível de seus ônibus escolares. “Em uma cidade igual a Bauru, se a prefeitura usar 30% de óleo vegetal nos ônibus de transporte escolar, vai ter uma boa economia. Os próprios alunos poderiam trazer o óleo usado de casa”, lembra o professor, destacando o processo de aproveitamento e reciclagem do óleo.

Cerca de R$ 600 mil já foram investidos durante os sete anos em que a pesquisa vem sendo desenvolvida. Bravim ressalta que o dinheiro está sendo utilizado não só no desenvolvimento do kit, mas também em outras pesquisas sobre formas alternativas de energia.

“Hoje a gente trabalha com o biodiesel e o óleo vegetal mas nós temos pesquisa de motores elétricos e carros movidos a ar comprimido”, destaca.

De acordo com ele, existem algumas empresas interessadas no kit, mas o alvo principal seriam as prefeituras municipais. “Estamos em negociação com empresas interessadas, mas a idéia nossa é fazer isso com prefeituras e usuários de transporte público”, reforça. Segundo ele, quando o kit entrar em processo de fabricação, seu custo pode ficar em torno de R$ 500.

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Desempenho

O desempenho do motor movido a óleo vegetal desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Tecnologia de Botucatu (Fatec) e da Fundação de Pesquisa e Estudos Agrícolas e Florestais (Fepaf) é de apenas 3% a 5% menor que o movido a diesel, o que corresponde a cerca de 3 quilômetros por litro de óleo vegetal contra 3,150 quilômetros por litro de diesel. “O óleo vegetal usado é praticamente de graça. Além de não poluir o esgoto, nós o temos a um custo muito baixo”, diz o pesquisador Luís Fernando Nicolosi Bravim.

O financiamento das pesquisas está sendo feito por duas entidades, a Fatec e a Fundação de Pesquisa e Estudos Agrícolas e Florestais (Fepaf), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu. O ônibus utilizado nas pesquisas, segundo Bravim, foi doado pela prefeitura de Botucatu. “Este kit é muito bom para o produtor agrícola, para as cidades onde a poluição é muito alta e para quem mora em comunidades afastadas e precisa de um gerador de energia elétrica”, conclui o professor.

• Serviço

Mais informações pelo telefone (14) 3814-3004.